Economia

Projeto de cooperação transfronteiriça com 1,4 ME para o Vale do Côa e Siega Verde

A Fundação Côa Parque e a Junta de Castela de Leão apresentaram hoje o projeto Paleoarte, dotado de 1,4 milhões de euros, para promover a investigação e divulgação da arte rupestre do Vale do Côa e Siega Verde.

“Trata-se de um projeto muito importante para afirmarmos a missão internacional do projeto cultural do Côa, que é, por natureza um exemplo paradigmático de cooperação transfronteiriça. O único caso de uma classificação UNESCO para o património cultural de dois países irmãos”, explicou à Lusa o presidente da Fundação Côa Parque, Bruno Navarro.

Outras das pretensões das entidades envolvidas no Paleoarte é partilhar conhecimentos e experiências, sistematizar toda a informação recolhida ao longo das últimas décadas, permitindo, desse modo que o Vale do Côa – Siega Verde (Espanha) sejam mais conhecidos e mais estudados”,

Os fundos são provenientes do POCTEP – Programa de Cooperação Transfronteiriça Espanha – Portugal, e envolvem a Fundação Côa Parque, a Direção Geral do Património Cultural da Junta de Castela e Leão e o Centro Nacional de Investigação sobre a Evolução Humana, de Espanha.

O novo projeto de cooperação fronteiriça prevê investimento na área da investigação científica, com prospeções arqueológicas nos dois países ibéricos, publicações e a realização de congressos internacionais. Prevê-se ainda o melhoramento dos recursos tecnológicos da museologia e a conceção de uma grande exposição, destinada a circular pelos museus nacionais de arqueologia em Lisboa e Madrid.

“Temos agora os recursos necessários para levarmos às grandes cidades ibéricas e, eventualmente, saltarmos para além dos Pirinéus, para darmos a conhecer este património de qualidade excecional, que merece ser reconhecido como uma âncora de desenvolvimento territorial”, frisou o também responsável pelo Museu e Parque Arqueológico do Vale do Côa à agência Lusa.

Do lado espanhol, o diretor geral do Património Cultural de Castela e Leão, Enrique Saiz, disse à Lusa que esta iniciativa supera o conceito de tradicional de projeto europeu de cooperação transfronteiriça.

“Não é só conseguir financiamento europeu, mas conseguir uma verdadeira parceria para trabalhar conjuntamente na melhoria de gestão das responsabilidades de cada uma das entidades envolvidas”, frisou.

O responsável referiu que, segundo a UNESCO, “a Cultura pode anular fronteiras e elevar o desenvolvimento territorial”.

“Também é necessário avaliar muito de forma muito positiva que com este projeto a paisagem e o território serão valorizados, tal como o património, e não somente a riqueza arqueológica, com a consequente vantagem para as localidades e comunidades desta zona”, enfatizou Enrique Saiz.

Siega Verde é uma jazida de arte ao ar livre, localizada na província espanhola de Salamanca, na qual se destacam 90 painéis com representações do paleolítico, oficializada como Património Cultural da Humanidade pela UNESCO, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.

Já o Vale do Côa apresenta mais de mil rochas com manifestações rupestres, identificadas em mais de 80 sítios distintos, sendo predominantes as gravuras paleolíticas, executadas há cerca de 25.000 anos a 30 mil anos.

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