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Prisão: Uma transexual entre os homens

tara hudson

Os homens numa prisão, as mulheres noutra. Mas o que acontece se a pessoa for transexual? Conheça o caso de Tara Hudson, uma britânica que está a cumprir pena num estabelecimento para homens, apesar da petição que pede a transferência da reclusa para uma prisão feminina.

Parece uma mulher, sente-se mulher, vive há anos como mulher e está numa prisão para homens.

O ‘problema’ de Tara Hudson, de 26 anos, é que ainda falta a sétima e última cirurgia para deixar de ser do sexo masculino. Como legalmente é um homem, foi colocada, há uma semana, na HMP Bristol, uma prisão masculina, em Inglaterra.

Foi em setembro que a transexual foi condenada a 12 semanas de prisão, mas só na última sexta-feira é que deu entrada num estabelecimento prisional. E, desde então, mais de 115 mil pessoas já assinaram uma petição a exigir que Tara Hudson seja colocada entre mulheres.

“Esta decisão é uma rutura dos Direitos Humanos e coloca Hudson numa situação de extremo perigo de abuso, violência sexual e, até, de morte”, sustenta a petição.

A família da condenada apoia o pedido, lembrando que, como transexual, Tara Hudson tem de realizar vários tratamentos hormonais, para além de ter medicação contra a depressão. Esta situação é “ofensiva”, desabafou a mãe da transexual, Jackie Brooklyn: “Sinto que os homens vão andar atrás dela, vai ser humilhante”.

Em entrevista ao Bristol Post, Jackie Brooklyn sustentou que, “apesar de compreender que se trata de um assunto complexo, o tratamento de transexuais por parte do sistema judicial britânico requer uma maior atenção”.

“O foco principal deveria ser a segurança e o bem-estar dos envolvidos”, defendeu a mãe, que a outro jornal, o The Guardian, referiu que já soube de episódios de assédio: “Deixaram-me falar com ela durante cerca de dois minutos. Ela está a ser assediada, os prisioneiros gritam ‘mostra-nos o teu peito’”.

Como se não bastasse uma pessoa com aparência de mulher (e que se sente do sexo feminino) ter sido colocada entre homens, há ainda o ‘pormenor’ da prisão ter vindo a registar níveis de violência crescentes, estando agora “consideravelmente acima dos verificados em prisões semelhantes”.

As inspeções mais recentes referem ainda que, na HMP Bristol, “não está a ser feito o suficiente para proteger alguns dos detidos mais vulneráveis”.

“É uma política habitual colocar os prisioneiros de acordo com género reconhecido legalmente”, sustentou o porta-voz da prisão.

Citado pelo The Guardian, a mesma fonte admitiu que as autoridades estão a estudar a transferência: “Os nossos princípios permitem-nos discrição e, em casos como este, os profissionais médicos irão rever as circunstâncias de forma a proteger emocionalmente a pessoa em questão”.

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