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Portugueses são “hipócritas e indiferentes” face aos políticos, acusa Júdice

Em Portugal reina “a hipocrisia em relação aos políticos”, escreveu José Miguel Júdice, dando como exemplos a divulgação do interrogatório a José Sócrates e a acumulação ilegal de ordenados pelo então ministro Manuel Pinho.

Num artigo de opinião para o Eco, o ex-político do PSD apontou os “berros” da sociedade como a melhor prova da “tolerância” perante os sucessivos escândalos na classe política.

“Como povo, preferimos tolerar abusos dos políticos (que até nos dão uma sensação de boa consciência) em vez de assumirmos que devem ser mais bem pagos do que são atualmente”, sustentou o advogado.

Os políticos aproveitam e, com “subterfúgios e habilidades”, preferem o risco de cometer esses abusos ao trabalho de “assumir com coragem que devem ser melhor pagos” e legislar para que assim seja.

“O que isto demonstra é a hipocrisia reinante em Portugal em relação aos políticos”, escreveu Júdice.

Sobre a polémica dos pagamentos do BES a Manuel Pinho quando era ministro, o ex-bastonário dos advogados adiantou que “a generalidade dos portugueses” não ficou surpreendida perante a hipótese de tal notícia ser “verdadeira”.

“Com a tolerância resignada que é muito elevada para as falhas éticas e para o desrespeito da lei, provavelmente nada do que Pinho dissesse convenceria ninguém”, reforçou.

No caso da divulgação dos interrogatórios a José Sócrates, o comentador condenou a SIC por dar o mau exemplo.

“O que é grave quanto a este abuso é que tudo fique por umas declarações vagas e levemente preocupadas de quem manda e faz a Justiça em Portugal e mais uma vez ninguém seja condenado pelo que é inequivocamente uma sucessão de crimes”, frisou José Miguel Júdice.

“Por aqui passa a nossa tolerância aos abusos, desde que não nos sintamos atacados pessoalmente. Enquanto não é connosco diretamente, nada nos interessa nos abusos”, concluiu.

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