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PEV quer fim de “abates indiscriminados” e “podas excessivas” de árvores em Lisboa

O partido “Os Verdes” vai entregar ao presidente da Câmara de Lisboa uma carta aberta pela preservação das árvores, contestando a proliferação de “abates indiscriminados” e “podas excessivas” numa cidade que vai ser capital verde em 2020.

“A Câmara tem feito plantação de árvores e tem previsto novas plantações, o que reconhecemos e valorizamos, mas não chega plantar novas árvores, depois é preciso mantê-las nas devidas condições. Por outro lado, isso depois não pode servir de justificação para maltratar e abater as árvores que já existem e fazem parte da cidade”, defendeu à Lusa a deputada municipal Cláudia Madeira.

A eleita do PEV na Assembleia Municipal esteve hoje junto ao Jardim da Estrela a recolher assinaturas à carta aberta, que será entregue ao presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina (PS), no dia 21 de março, dia mundial da árvore.

O partido ecologista pede investimento na Escola de Jardinagem do município para formar novos jardineiros que possam contribuir para uma “gestão integrada e harmoniosa”, contestando o que consideram ser o fracionamento atual.

“Na reorganização administrativa da cidade, passaram-se estas competências para as juntas de freguesia, que muitas vezes não têm os meios humanos nem técnicos para tratar as árvores, e acabam por contratar empresas, fugindo ao controlo dos órgãos municipais”, sustentou Cláudia Madeira.

“Os Verdes” contestam o regulamento do arvoredo aprovado em 2017, “exatamente por permitir 25 visões e gestões do arvoredo e dos espaços verdes da cidade”, uma por cada freguesia e outra da Câmara.

“O que acontece muitas vezes é que são as empresas que fazem os estudos, dizem que as árvores necessitam de ser podadas, e depois é essa mesma empresa que faz a intervenção”, apontou.

Outra reivindicação dos eleitos do PEV em Lisboa é o respeito pelo património arbóreo na concretização de projetos urbanísticos.

De acordo com Cláudia Madeira, é frequente o abate de árvores no âmbito de projetos urbanísticos, um impacto que não é compensado por novas plantações, já que as espécies são juvenis e não têm o impacto das anteriores, que representam um património que deve ser preservado.

A deputada municipal aponta como exemplos o abate de árvores na construção do terminal de cruzeiros de Santa Apolónia, na construção da torre de Picoas, nas obras da praça do Saldanha, na criação de um campo de ‘rugby’ no bairro da Boavista, e as “podas excessivas” na avenida Guerra Junqueiro, bem como de uma árvore classificada nos Anjos.

No caso dos freixos da Guerra Junqueiro foi a contestação de moradores, associações e do PEV que evitou o abate, já que após as podas as árvores chegaram a estar sinalizadas para serem eliminadas, afirmou Cláudia Madeira.

“Há denúncias que chegam ao nosso conhecimento e que vão permitindo que se evitem alguns abates”, sublinhou a eleita municipal.

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