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“Os ralis de hoje são muito diferentes” comenta o veterano Stig Blomqvist

É um veterano dos ralis. Quem se lembrar do Campeonato do Mundo da especialidade nas décadas de 1970 e 1980 vai-se recordar do talento de Stig Blomqvist.

Um ex-campeão do Mundo que nos visita 30 anos depois, num Portugal que praticamente não reconhe, para vir disputar a 5ª edição do RallySpirit Altronix, e com quem pudemos falar na receção da prova no Cais de Gaia.

O sueco fala ainda com a emoção da prova portuguesa do ‘Mundial’, que nunca lhe correu de feição mas que recorda com afeição, pela hospitalidade das pessoas, com um carro que tripulou na década de 1980 – o poderosíssimo Audi Quattro S4 – mas que nunca guiou antes em competição nas regiões que a prova da Xracing vai visitar.

“Estou curioso para ver como vai decorrer. Sinceramente tenho boas recordações de Portugal, sobretudo das pessoas, que foram sempre muito acolhedoras e grandes fãs de ralis. Lembro-me sobretudo das multidões, embora o rali aqui nunca me tenha corrido bem. Tive sempre problemas”, afirma Blomqvist quando instado a falar sobre o Rali de Portugal.

O piloto sueco conduziu carros tão diferentes como o Saab 96 V4, Saab 99 Turbo, Ford RS 200, Audi Quattro e mesmo simpáticos Grupo A como o Skoda Felicia: “São todos acessíveis de guiar. Depende muito do piloto. Para mim nunca requereram um estilo especial. Claro que os Grupo B fazem o imaginário dos aficionados, mas para mim quem fazia a diferença eram mesmo os pilotos”.

“Hoje há grandes pilotos. É verdade. Mas há muita igualdade. Não creio que haja grandes diferenças. É certo que no meu tempo também, mas eram tempos diferentes, uma cultura diferente. Ralis à noite, cinco dias de prova. Seria interessante ver como se sairiam os pilotos atuais em nevoeiro, chuva e noite cerrada”, observa Stig Blomqvist.

Questionado sobre o regresso de provas históricas ao campeonato do Mundo como o Rali Safari, o ‘cabeça-de-cartaz’ do RallySpirit Altronix mostra-se algo cético: “Sinceramente não sei se foi uma boa ideia. Sei que quiseram que o WRC voltasse a África, mas com os carros atuais pode ter sido uma má decisão. Acho que os atuais carros WRC são demasiado frágeis. No meu tempo eram quase outros carros que iam a África fazer o Safari e o Costa do Marfim. Espero que não se arrependam”.

Relativamente à sua participação no RallySpirit 2020 Blomqvist vê-a mais como um momento de diversão: “É sobretudo entretenimento. De facto o automobilismo e as provas Legends têm registado um êxito assinalável e a verdade é que estes carros foram feitos para correr e não para estarem parados numa garagem ou num museu”.

“Estou encantado por voltar a Portugal tantos anos depois. E se é verdade que o país está mudado – só reconheço os nomes das placas de indicação das localidades – a verdade é que nunca me esqueço das classificativas incríveis que a prova do ‘Mundial’ tem. Era um desafio sempre vir fazer o Rali de Portugal, que classifico como uma das provas mais difíceis do Campeonato do Mundo”, reitera o veterano sueco.

Agora é esperar para ver Stig Blomqvist e o Audi Quattro S4 em ação nos três próximos dias, bem como os restantes 114 carros inscritos na prova da Xracing, que este ano tem a novidade de visitar o Porto, já que o parque fechado e as assistências situam-se no Queimódromo e é um complemento à super especial da Serra do Pilar (Gaia), e aos troços de Barcelos e de Santo Tirso que se correm no sábado e no domingo.

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