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Os “profissionais da pobreza”, diz Isabel Jonet, “não se preocupam em mudar”

isabel jonet Em Portugal “existem profissionais da pobreza” que, segundo Isabel Jonet, estão “habituados a andar de mão estendida, sem qualquer preocupação em mudar”. A dirigente dos bancos alimentares evocou ainda a “nova forma de pobreza” e o “muito voluntarismo” nas respostas sociais.

Isabel Jonet afirmou ontem que existem famílias que fazem da assistência social “uma forma de vida”. “Há profissionais da pobreza habituados a andar de mão estendida”, acusou a dirigente dos bancos alimentares, salientando a “sorte” de haver muitas estruturas a dar resposta.

Portugal enfrenta uma emergência social com uma “nova forma de pobreza”, mas também tem “a sorte de ter muitas estruturas que dão uma resposta social muito boa”, afirmou ontem Isabel Jonet, presidente da Federação Europeia dos Bancos Alimentares.

No encerramento do 29.º Encontro da Pastoral Social, que decorreu em Fátima, Jonet elogiou a resposta social dada pela Igreja Católica, mas pediu que o “muito voluntarismo” seja transformado em voluntariado, evitando uma sobreposição de ajudas entre entidades ligadas às paróquias e outras à sociedade civil.

Embora os portugueses continuem a responder com “muita generosidade às muitas necessidades”, é cada vez mais necessário criar uma rede para coordenar essa resposta, tanto mais que o país enfrenta uma “nova forma de pobreza”.

“Temos hoje um conjunto de pessoas que revestem uma nova forma de pobreza, nomeadamente famílias que nunca imaginaram que estariam nessa situação, que estão desempregadas, com créditos, e são requeridas novas respostas às quais não estávamos habituados”, salientou Isabel Jonet.

Se há famílias que nunca imaginaram estar nessa situação, outras há que dela fazem forma de vida, acusou a mesma responsável: “em Portugal há aquilo a que chamamos a transmissão intergeracional da pobreza e temos que quebrar com essa transmissão. Há profissionais da pobreza habituados a andar de mão estendida, sem qualquer preocupação em mudar, e as instituições, por mais assistencialistas que sejam, têm que fazer o acompanhamento e a supervisão, para que se quebrem os ciclos de pobreza”.

Só com o referido trabalho em rede, coordenado entre as várias instituições, será possível terminar com esse ‘profissionalismo’ da pobreza.

“Quando se ajuda uma família pobre, deve-se procurar que essa família queira deixar de ser pobre e não encare a assistência como uma forma de vida”, concluiu Isabel Jonet.

Nas contas da presidente da Federação Europeia dos Bancos Alimentares, cerca de 20 por cento da população portuguesa encontra-se em situação de pobreza, que tem de ser combatida “incessantemente” pela sociedade civil.

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