Justiça

Operação Marquês: Começou interrogatório de Bárbara Vara na fase de instrução

Bárbara Vara, filha do ex-ministro Armando Vara, começou a ser ouvida pelas 14:30 na fase de instrução do processo Operação Marquês, que se iniciou hoje no Tribunal Central de Instrução Criminal.

Bárbara Vara está acusada de dois crimes de branqueamento de capitais, um em cumplicidade com o seu pai, a cumprir pena de prisão ao abrigo do processo Fase Oculta, e outro em coautoria com outros arguidos do processo, nomeadamente Carlos Santos Silva.

À entrada do tribunal, nem a arguida nem os seus advogados, Rui Patrício e João Cluny, quiseram prestar declarações, remetendo para o fim da sessão eventuais comentários.

Presente na primeira sessão esteve o advogado do ex-presidente do BES Ricardo Salgado que, apesar de não ter pedido abertura de instrução, alegou que o seu cliente “é parte do processo e que tem todo o direito de intervir, inclusivamente nesta fase”.

Ricardo Salgado está acusado de 21 crimes, nomeadamente corrupção, branqueamento de capitais, abuso de confiança e fraude fiscal.

Francisco Proença de Carvalho reiterou que não está arrependido de não ter pedido esta fase facultativa do processo, que serve para um juiz verificar a acusação do Ministério Público e decidir quem vai a julgamento e por que crimes, e que vai lutar pela “absolvição final de Ricardo Salgado” que disse “estar inocente”.

“Não vejo na acusação provas ou factos minimamente rigorosos”, afirmou aos jornalistas.

Ricardo Salgado não pediu a instrução porque, alegou, não tinha garantias de que a fase de instrução fosse imparcial, caso fosse dirigida pelo juiz Carlos Alexandre, que teve intervenção no interrogatório.

Armando Vara é uma das testemunhas arroladas pela sua filha, tendo o seu interrogatório sido marcado inicialmente para terça-feira, mas deverá ser adiado devido à greve dos guardas prisionais, cujos serviços mínimos só contemplam transporte de presos para diligências urgentes.

O juiz de instrução Ivo Rosa já marcou diligências até final de maio, prevendo-se que este processo dure cerca de um ano, dado o número de testemunhas que irão depor e os interrogatórios dos arguidos que pediram para ser ouvidos.

O inquérito Operação Marquês, que teve início há mais de cinco anos – culminou na acusação a 28 arguidos – 19 pessoas e nove empresas – e investigou a alegada prática de quase duas centenas de crimes de natureza económico-financeira.

José Sócrates foi acusado de três crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documentos e três de fraude fiscal qualificada.

Entre outras imputações, o Ministério Público está convencido que Sócrates recebeu cerca de 34 milhões de euros, entre 2006 e 2015, a troco de favorecimentos a interesses do ex-banqueiro Ricardo Salgado no Grupo Espírito Santos e na PT, bem como para garantir a concessão de financiamento da Caixa Geral de Depósitos ao empreendimento de luxo Vale do Lobo, no Algarve, e por favorecer negócios do Grupo Lena.

Entre os 28 arguidos estão Carlos Santos Silva, Henrique Granadeiro, Zeinal Bava, Armando Vara, Bárbara Vara, Joaquim Barroca, Helder Bataglia, Rui Mão de Ferro e Gonçalo Ferreira, empresas do grupo Lena (Lena SGPS, LEC SGPS e LEC SA) e a sociedade Vale do Lobo Resort Turísticos de Luxo.

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