Cultura

“O vírus não vai evitar saltar de camarada em camarada”, diz Pedro Abrunhosa

O músico Pedro Abrunhosa, que atuou diversas vezes na Festa do Avante!, não hesita em criticar o PCP por insistir na realização do evento este ano, em contexto de pandemia.

“É irrelevante se o Avante é uma festa política ou um festival. O vírus não vai evitar saltar de camarada em camarada”, afirmou o artista, durante a participação no podcast Posto Emissor.

“Simpatizo muito com a Festa do Avante!, mas estamos perante uma situação extraordinária”, insistiu, lembrando que se trata de “uma questão de saúde pública”, pois a covid-19 não respeita os quadrantes políticos, infetando tanto “à esquerda como à direita”.

Com a mira no PCP, um partido “fundamental para a democracia portuguesa”, Pedro Abrunhosa aproveitou para condenar a rigidez da liderança partidária.

“O PCP tem, de uma vez por todas, de se modernizar. Por muito respeito que eu tenha pelo Jerónimo de Sousa, creio que está na altura de atualizar a sua liderança”, frisou o músico portuense.

Para sustentar a opinião, o artista recordou a opacidade do partido em vários temas, recuperando a questão da Festa do Avante! deste ano para a comparar com os discursos oficiais na década de 80 do século passado.

“No outro dia, o PCP disse que não tinha os dados relativos à venda de bilhetes e de quanta gente esteve no ano passado na Festa do Avante!. É uma desculpa que o PCP sempre usou para tudo. Lembro-me de debates que se davam dentro do PCP nos anos 80 acerca da invasão da Hungria em 56 ou da Checoslováquia em 68 pela União Soviética. O PCP também dizia que não tinha dados para se poder pronunciar. É a mesma resposta que se está a dar agora”, argumentou Pedro Abrunhosa.

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