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Nos EUA, é mais fácil comprar uma arma do que adotar um cão

A legislação norte-americana é uma espécie de ‘via verde’ para a compra de armas. A verificação de antecedentes criminais é o único entrave, mas nem em todos os estados. Mesmo assim, este procedimento não atrasa o processo. É mais difícil adotar um cão. Ou obter um divórcio…

A facilidade com que se compram armas, nos EUA, está na base de uma outra realidade: é em solo norte-americano que se regista maior número de massacres. Uma reportagem da CNN compara os processos de compra de armas com outros objetivamente menos perigosos – como obter o divórcio ou o passaporte, adotar um animal de estimação, tirar a carta de condução ou comprar medicamentos, mesmo que para uma constipação.

Há questões culturais envolvidas. Mas nem assim se compreende a razão pela qual é mais fácil comprar uma arma do que adotar um cão, tirar a carta de condução, obter um passaporte, se compram medicamentos ou se obtém um divórcio.

O massacre de Orlando voltou a colocar o livre acesso a armas na agenda mediática. Com efeito, este tema está permanentemente na agenda mediática, uma vez que há tiroteios e massacres. Só em 2016, ocorreram naquele país 136 tiroteios em massa, segundo dados da CNN.

É nos EUA que ocorre um terço dos tiroteios em massa contabilizados em todo o mundo.

Mas, quão fácil é obter uma arma? De acordo com a lei norte-americana, neste campo estamos na terra da liberdade. Numa loja de armas, uma simples verificação dos antecedentes criminais é suficiente. Nada que atrase o… negócio. Mas nos vendedores privados, este procedimento não é cumprido em todos os estados. Quer uma arma? Aqui tem. É como comprar detergente.

Na verdade, é mais fácil obter uma arma do que tirar a carta de condução, que obriga (e bem) a prova de identidade, provas teóricas e práticas, testes oftalmológicos, entre outros pequenos obstáculos burocráticos.

Além disso, alguns estados, como Maryland, colocam os condutores numa espécie de estágio, durante alguns meses, até terem direito à carta.

Para comprar uma arma, não são necessários testes de capacidade para o uso de armamento. Carregar no gatilho é fácil, de acordo com o legislador. Estágio? Dispensa-se, até porque o negócio tem de ser feito e há uma indústria de armamento por detrás, a ditar regras.

No caso do passaporte, é necessário fazer prova de que se é cidadão norte-americano. Tem de preencher papéis e aguardar cerca de seis semanas para chegar obter o documento.

Numa loja de armas, o sistema de verificação de antecentes criminais, do FBI, torna este único procedimento muito célere. Demora mais tempo a tirar o dinheiro da carteira para pagar a arma do que verificar se está na lista de criminosos. E, repita-se, nos vendedores privados este processo não ocorre e os criminosos podem ter acesso à sua pistola livremente.

No que diz respeito a alguns medicamentos, há limites de quantidades compradas pelos utentes. Até para tratar uma constipação. Quando o agente ativo é a pseudoefedrina, a autoridade do medicamento procede a um controlo, e bem, uma vez que esse ingrediente pode ser usado para tomar com metanfetaminas.

Já a venda de armas é feita sem limites. Nenhuma lei federal cria limites de unidades por pessoa.

E passamos ao divórcio. Em alguns estados, o processo é longo e a burocracia exagerada. A espera pela conclusão do processo pode demorar seis meses.

E por último o animal de estimação.

O que precisa para adotar um cão ou um gato?

Em primeiro lugar, tem de ser maior de 21 anos. Tem de mostrar identificação e, em alguns casos, são recolhidas informações a seu respeito.

A agência responsável pela adoção pode mesmo fazer uma visita à sua casa, para verificar se tem condições para receber o animal. Como é óbvio, nenhum vendedor vai a sua casa, nem analisa se tem condições para comprar armamento.


Este zelo para a adoção de animais não é errado. Mas contrasta com o processo de compra ou venda de armas, o mais simples que se possa imaginar. E não se compreende por que razão a lei não muda.

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