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“Não se aceita que Marcelo receba Santana e depois diga que não se mete na vida dos partidos”, diz Sousa Tavares

Para Miguel Sousa Tavares, é “notável” que Marcelo Rebelo de Sousa receba Santana Lopes, depois da polémica entre ambos sobre a TVI, mas “não é aceitável” face ao discurso do Presidente: “Depois vai dizer que não se mete na vida dos partidos?”

No comentário semanal para a SIC, Miguel Sousa Tavares lembrou que no PSD se pode “esperar tudo e o seu contrário” para analisar a provável candidatura de Santana Lopes à presidência do PSD, na sequência do provedor ter sido recebido em Belém por Marcelo.

“Não é aceitável que o Presidente da República receba Santana Lopes nesta altura. Não é aceitável. Depois ainda por cima vai dizer que não se mete na vida dos partidos? É evidente que falaram do PSD, se não falaram é essa a impressão que sai. Não basta aquilo que é, é também o que parece ser”, frisou Sousa Tavares.

“Ainda por cima dizer que o assunto foi a Misericórdia numa altura em que Santana está a ponderar sair da Misericórdia ainda faz menos sentido”, insistiu: “Parece implicitamente que Marcelo quis dar um empurrão à candidatura de Santana, o que não deixa de ser notável se nos lembrarmos que era Santana o primeiro-ministro quando exigiu que Marcelo fosse corrido da TVI”.

Para o comentador, “a grande diferença entre Santana e Rio é que Santana não é preciso segurá-lo para ele avançar e Rio é do género segurem-me senão eu avanço”.

“Santana Lopes tem evidentes qualidades políticas, agora também tem alguma inconsciência política”, destacou Miguel Sousa Tavares: “Ele adora as luzes da ribalta. É um orador brilhante, só a promessa que pode ir disputar a liderança com Rui Rio transformou aquilo que ia ser um passeio chatérrimo do candidato Rui Rio sozinho numa disputa que vai animar o PSD e que naturalmente vai trazer notoriedade ao PSD”.

Quanto à propalada renovação do partido, Sousa Tavares acredita que será mais provável com Santana do que com Rio, apesar de serem ambos da ‘velha guarda’ social-democrata: “Apesar de ser a quarta ou quinta vez que Santana volta para primeiro plano acho que há mais irreverência e inovação putativamente em Santana Lopes do que em Rui Rio, que é um homem de um profundo cinzentismo e que eu, pelo menos, não faço ideia da agenda que tem para querer chegar a presidente do PSD e primeiro-ministro”.

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