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Na origem de Alzheimer pode estar uma proteína protetora do cérebro

Na origem da doença de Alzheimer pode estar uma proteína que protege o cérebro. Num estudo da Universidade Harvard, publicado no ‘Science Translational Medicine’, os investigadores defendem a necessidade de aprofundar este conhecimento. Mas estas conclusões podem alterar os mecanismos de tratamento e mesmo de prevenção da doença.

Um estudo da Universidade Harvard publicado no ‘Science Translational Medicine’ concluiu que um mecanismo protetor do cérebro pode estar, por ironia, na origem de Alzheimer. Não é a única razão para o desenvolvimento da doença, mas uma das razões.

Os investigadores consideram que é necessário aprofundar esta pesquisa, com humanos. E salientam que, a confirmarem-se as conclusões, pode haver necessidade de reformular os modos de tratar esta doença degenerativa e mesmo de a prevenir.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que Alzheimer representa 70 por cento dos casos de doenças degenerativas. No total, este tipo de problemas afeta mais de 47 milhões de pessoas, em todo o mundo. A tendência é para um agravamento deste quadro, ainda de acordo com a OMS, que estima que a barreira dos 130 milhões de pacientes possa ser ultrapassada em 2050.

A doença de Alzheimer tem origem numa acululação, no cérebro, de placas formadas pela proteína beta-amiloide. O seu processo de aglutinação, nos neurónios, afeta a transmissão de sinais, o que leva a um bom funcionamento cerebral – com os efeitos conhecidos, desde perda de memória a incapacidade cognitiva.

Alzheimer é denegerativa e pode levar à morte.

“Por que motivo a beta-amiloide se acumula nas pessoas, à medida que estas vão envelhecento? A proteína tem alguma função no cérebro, ou é apenas lixo que se acumula?”, questiona Rudolph Tanzi, coautor do estudo e investigador da Escola de Medicina da Universidade Harvard, nos EUA.

Rudolph Tanzi e a sua equipa (formada também por investigadores do Hospital Geral de Massachusetts, em Boston) detetaram que uma determinada sequência de aminoácidos da beta-amiloide humana está presente na esmagadora maioria dos vertebrados, mesmo em espécies que existem há milhões de anos.

Trata-se de uma proteína antiga, que representa um papel muito importante”, salienta Robert Moir, do Hospital Geral de Massachusetts.

Este processo de aglutinação da beta-amiloide (visto como patológico) pode ser, na realidade, um fenómeno de defesa do organismo. A proteína tem a capacidade de matar micróbios.

Para a realização desta experiência, os investigadores criaram um camundongo geneticamente modificado. Agora, a equipa de Rudolph Tanzi pretende fazer os mesmos testes com pessoas saudáveis e com outras que têm Alzheimer.

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