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Mulher presa por ver voleibol começa greve de fome, no Irão

ghavami A família de Goncheh Ghavami, detida por tentar ver um jogo de voleibol masculino no Irão, confirmou que a jovem está em greve de fome. A decisão foi revelada depois de ontem a prisioneira ter ouvido a sentença: um ano de prisão por “propaganda contra o regime”.

Ghoncheh Ghavami queria ver um jogo de voleibol, mas vai para a prisão. Ou melhor, já estava na prisão, mas ontem ficou a saber que tem de cumprir um ano de pena efetiva, na sequência da condenação por “propaganda contra o regime”.

Hoje, a família da iraniana (que também tem nacionalidade britânica) revelou que Ghavami está “em greve de fome desde sábado”.

“Não come alimentos sólidos e não aceita líquidos”, afirmou o irmão, Iman Ghavami, citado pela BBC.

À mesma estação, a mãe de Goncheh Ghavami revelou que a jovem, que se formou em Direito em Londres (Inglaterra), considera ser vítima de “detenção ilegal”.

Detida desde junho, a jovem já terá feito uma greve de fome, que terá durado 14 dias.

O caso remonta a junho, quando o Irão recebeu a Itália, numa partida de voleibol masculino. Ghoncheh Ghavami, de 25 anos, foi uma das mulheres que tentou ver o jogo, mas devido a essa ‘heresia’ vai ver o ‘sol aos quadradinhos’ durante um ano.

A mulher, que terá sido espancada antes de ficar detida, foi condenada a um ano de prisão pelo crime de “propaganda contra o regime”, de acordo com a informação prestada pelo advogado.

“O presidente do tribunal mostrou-me a sentença, na qual a minha cliente é condenada a um ano de prisão”, revelou Mahmoud Alizadeh Tabataí, citado pela agência ILNA.

O tribunal entendeu que a jovem, que além de iraniana tem a nacionalidade britânica, integrava o grupo de ativistas que defendia os direitos das mulheres, aproveitando a partida do Irão (uma seleção de topo no voleibol masculino) com a Itália.

No Irão, as leis de segregação proíbem as mulheres de presenciarem partidas desportivas com homens. Na altura do jogo entre iranianos e italianos, no Estádio Azadi, em Teerão, várias mulheres exigiam o fim dessa discriminação.

Várias manifestantes foram detidas, acabando por serem libertadas sob fiança nas horas seguintes. Ghoncheh Ghavami foi detida dez dias após os incidentes, quando foi à esquadra recuperar os objetos pessoais.

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