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Morto nas praxes: Mãe ainda espera respostas pela morte do filho há 12 anos, em Famalicão

praxepraxe 600O jovem Diogo morreu há 12 anos. Era aluno da Universidade Lusíada de Famalicão, membro da tuna. Depois de uma praxe, sentiu um mal-estar, foi internado e resistiu sete dias, até morrer. Maria Macedo, a sua mãe, ainda espera por respostas. E revive a dor que os familiares dos seis estudantes que perderam a vida no Meco.

Os familiares das vítimas do Meco aguardam, ansiosamente, por respostas. Entre a dor da perda irreparável, querem ver esclarecidas as causas da morte dos seus filhos, num momento em que o tema das praxes académicas saltou para a agenda mediática – não obstante ainda não ter sido provado que este foi o motivo da morte no Meco.

Esta história está a ser vivida com muito sofrimento por quem perdeu os seus filhos. E está a ser razão pela qual Maria Macedo está a reviver a sua própria tragédia, que lhe roubou o filho, há 12 anos. Maria conta ao Diário de Notícias essa história que não esquece.

Diogo era aluno do 4.º ano. Estudava arquitetura na Universidade Lusíada de Famalicão e era membro da tuna. Depois de uma noite de praxe académica, sentiu um mal-estar. Foi internado e resistiu sete dias. A morte foi a sentença, depois de uma luta pela vida.

Maria Macedo não queria acreditar.

O seu filho tinha sido retirado dos seus braços. Iniciara-se o luto, que permanece, eternamente. “Só vou à tuna resolver a minha vida”, dissera Diogo, depois de receber um telefonema. Foram as últimas palavras que dirigiu à mãe.

Agora, no Meco, seis estudantes da Universidade Lusófona de Lisboa são puxados pelo mar, num episódio que tem muitas perguntas sem resposta. Praxes? Rituais académicos? Ninguém sabe e o único sobrevivente ainda não esclareceu o caso.

“É um reviver de um filme que passa todos os dias pela minha cabeça”, conta agora Maria, ao Diário de Notícias. As famílias dos seis alunos exigem respostas, tal como Maria exigira, há 12 anos, em outubro de 2001.

Maria Macedo revela agora ao Diário de Notícias que, naquele ano, ergueu-se um muro de silêncio em redor do caso. Um muro que impediu que se dessem respostas. As milhares de perguntas que os pais fazem quando perdem um filho ficam por esclarecer.

Os pais contam os segundos para ouvir as razões. Maria conta segundos há 12 anos. E partilha as lições que foi aprendendo, ao longo dos anos, deixando um conselho aos pais.

“Lutem para que se faça justiça. Responsabilizem a faculdade. Não será fácil. Até porque vê-se que a faculdade está a cozinhar com os alunos. O mesmo que me fizeram a mim. Exatamente igual”, conta Maria ao Diário de Notícias.

O seu conselho transforma-se em desabafo: “Nós, pais, pagámos o passaporte para a morte dos nossos filhos. Nós andamos anos a pagar o passaporte para a morte dos nossos filhos. Eles [universidades] só veem números, não veem a parte humana”.

As mortes do Meco, investigadas pela PJ, vão envolver familiares, amigos e colegas de faculdade dos seis estudantes que perderam a vida, por razões que estão por determinar.

Alguns moradores que testemunharam alguns acontecimentos, antes da noite de 15 de dezembro, ajudarão os inspetores da Judiciária a avançar na procura de respostas.

São diligências que têm como objetivo deslindar o caso, numa altura em que as praxes académicas estão na agenda mediática, independentemente de ainda não estar provado que estas mortes resultam dessa prática.

Também o sobrevivente da tragédia do Meco, João Gouveia, irá prestar depoimento, mas esta diligência ainda não foi agendada. Segundo a agência Lusa, a família do dux já revelou que o jovem irá esclarecer os factos.

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