África

Moçambique cresce só 2,5% este ano mas acelera para 10% em 2024

O departamento de estudos económicos do Standard Bank prevê que Moçambique cresça 2,5 por cento este ano, e acelere para 3,7 por cento em 2020, crescendo a dois dígitos a partir de 2024, devido às exportações de gás natural.

“Mudámos a nossa previsão de crescimento do PIB [produto interno bruto] para 2019 e 2020, com a primeira a ser revista 0,2 pontos em baixa, para 2,5 por cento, e a segunda aumentada em 0,2 pontos, para 3,7 por cento”, lê-se no relatório de outubro sobre os mercados financeiros africanos.

A mudança deve-se “à política monetária mais prudente que o esperado e aos desafios orçamentais deste ano, que abrandam a despesa agregada”, explica o Standard Bank.

No documento, enviado aos investidores e a que a agência Lusa teve acesso, os analistas do maior banco a operar em África afirmam que “o crescimento do PIB deverá acelerar para níveis acima dos 10 por cento a partir de 2024, antes de estabilizarem numa taxa de 4 por cento a longo prazo”.

Estas previsões estão sustentadas na expectativa de que três centrais de processamento de gás natural estejam a produzir em 2024 mais de 30 milhões de toneladas por ano, argumentam os analistas.

O relatório nota ainda que “com o início da construção dos trens de gás natural liquefeito, os fluxos de investimento direto estrangeiro devem sustentar a economia, quer na formação de capital bruto, quer no que diz respeito à liquidez em moeda estrangeira, fazendo com que as taxas de juro possam descer”.

Ainda assim, a economia de Moçambique enfrenta desafios, alertam os analistas, vincando que “a capacidade institucional limitada, as deficiências na facilidade de fazer negócios, a limitada mão de obra qualificada e a falta de um setor privado vibrante vão limitar a participação local nos projetos de gás natural liquefeito”.

Uma situação que a ocorrer, frisa o documento, reduzirá “os potenciais benefícios para a economia nacional”.

Para os projetos de gás natural mudarem realmente o país, salientam os analistas do Standard Bank, era preciso duas condições: “por um lado, progresso nas reformas estruturais e matérias de governação e, por outro, fazer com que metade da população que vive em pobreza saia dessa condição”.

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