América do Sul

MNE brasileiro apresenta na Argentina a “Nova Política Externa” do país

O ministro dos Negócios Estrangeiros brasileiro inicia hoje uma viagem a Buenos Aires para explicar o novo rumo internacional do governo Bolsonaro ao principal parceiro estratégico do Brasil.

Hoje à noite, na madrugada de quarta-feira em Portugal, Ernesto Araújo dará a uma palestra académica e depois irá realizar uma série de rondas diplomáticas para preparar a visita do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, à Argentina.

Essa visita deverá realizar-se ainda no primeiro semestre para não colidir com a campanha eleitoral de Maurício Macri, que tenta a reeleição presidencial argentina em outubro.

No primeiro dia da visita, o ministro realiza uma palestra no Conselho Argentino para as Relações Internacionais (CARI), sob o título “A Nova Política Externa do Brasil”, perante uma plateia de diplomatas, académicos e membros do governo argentino.

Até a posse de Bolsonaro, o parceiro mais estratégico do Brasil para a integração regional como plataforma de inserção internacional era a Argentina.

Essa será a primeira atividade de uma viagem tratada com certo segredo ao longo dos últimos 10 dias, período no qual o governo Bolsonaro defendeu o golpe de 1964 e negou a ditadura militar que se seguiu.

Na Argentina, o assunto é extremamente sensível e poderia provocar manifestações de organizações de direitos humanos.

As atividades oficiais continuam na quarta-feira. De manhã, o ministro terá uma reunião com o seu homólogo argentino, Jorge Faurie, no Palácio San Martín, sede da diplomacia argentina.

Em agenda da reunião está a agenda bilateral e a do Mercosul, bloco formado ainda por Uruguai e Paraguai.

A Argentina quer combater o crime organizado na fronteira com o Brasil, especialmente o tráfico de drogas e de armas. Se o crime organizado não respeita fronteiras, o combate precisa ser transnacional, defendem os dois países.

Logo em seguida, o ministro brasileiro deve-se reunir com o ministro da Produção da Argentina, Dante Sica.

Alguns dos principais assuntos são a modernização do Mercosul, uma revisão na Tarifa Externa Comum (TEC) do bloco e alguns assuntos mais espinhosos da relação como a recente oferta brasileira para os Estados Unidos venderem até 750 mil toneladas de trigo ao Brasil com isenção da TEC.

O país mais prejudicado com essa decisão é a Argentina, responsável por 84,4 por cento de todo o trigo que o Brasil importou no ano passado.

Quando viajou para Brasília em janeiro, o presidente Mauricio Macri convidou Bolsonaro para uma visita à Argentina. O assunto estará na agenda nesta quarta-feira.

O governo argentino quer que Bolsonaro venha à Argentina ainda neste primeiro semestre, antes da Cimeira do Mercosul na cidade argentina de Santa Fé, em julho.

Porém, Mauricio Macri precisa manter um equilíbrio político num ano eleitoral no qual disputa a reeleição em outubro.

Receber Bolsonaro ajudaria o presidente Macri a garantir o voto da direita argentina e a dar um sinal de que também fará necessárias reformas económicas.

Mas, por outro lado, receber Bolsonaro no segundo semestre, perto das eleições, pode ter o efeito contrário: afastar o voto centrista, mais progressista.

As últimas declarações de Bolsonaro em negação do golpe de 64 e da ditadura militar caíram muito mal na Argentina, o país que mais condenou militares no mundo e onde as organizações de direitos humanos têm amplo apoio popular.

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