Europa

Merkel admitiu ter uma “relação conflituosa” com Presidente francês

A chanceler alemã, Angela Merkel, admitiu ter um “relacionamento conflituoso” com o Presidente francês, Emmanuel Macron, numa entrevista hoje publicada pelo diário alemão Suddeutsche Zeitung.

“É claro que temos um relacionamento conflituoso”, respondeu a chanceler alemã, explicando que “há diferenças de mentalidade” entre ela e o Presidente francês, bem como na forma como entendem o seu papel político.

Os dois líderes tiveram várias desavenças nos últimos meses, sobre o congelamento de vendas de armas para a Arábia Saudita, decidido pela Alemanha após o assassínio do jornalista Jamal Khashoggi, sobre o futuro da União Europeia ou sobre os sucessivos adiamentos concedidos ao Reino Unido para o Brexit.

A chanceler, no entanto, destaca nesta entrevista o “enorme progresso” que foi alcançado na área da defesa, onde têm demonstrando posições aproximadas e apresentaram programas de desenvolvimento militar comuns.

“Decidimos desenvolver um caça e um tanque juntos. (…) É um sinal de confiança contarmos uns com os outros em política de defesa”, afirmou Merkel.

Os dois líderes também assinaram em janeiro o Tratado de Aix-la-Chapelle sobre cooperação e integração franco-alemã.

Quando interrogada sobre se as relações entre ambos se deterioraram nos últimos meses, Merkel rejeitou firmemente: “Não, de maneira nenhuma”

A chanceler assinalou que na altura do discurso de Macron na Universidade Sorbonne, em Paris, em setembro de 2017, sobre a revitalização da Europa, ela estava a acabar de sair de eleições e a tentar negociar uma nova coligação na Alemanha, pelo que fez observações críticas sobre as propostas europeias de Macron.

Merkel também enfatizou as diferenças de modelo político entre os dois países, para justificar o seu afastamento relativamente ao Presidente francês.

“Eu sou chanceler de um Governo de coligação e sou muito mais dependente do Parlamento do que o Presidente francês, que não pode sequer entrar na Assembleia Nacional”, em nome da separação dos poderes executivo e legislativo.

Sobre as próximas eleições para o Parlamento Europeu, Merkel diz que são de “grande importância”.

“Há muita gente preocupada com a Europa. Eu também estou”, disse a chanceler ao jornal diário alemão.

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