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Matan Ruak pede votos “concentrados” para dar um “Governo forte”

O ex-Presidente timorense e número dois da coligação da oposição AMP, Taur Matan Ruak, pediu hoje a participação máxima nas eleições legislativas antecipadas de 12 de maio, e uma “concentração” de votos para “um parlamento e um Governo fortes”.

“Vão votar. No ano passado não votaram 176.951 timorenses. É demais”, disse, num pequeno comício no Remexio (Aileu), cerca de 25 quilómetros a sul de Díli. “Aqui no Remexio não votaram 1.154. Têm de votar. Querem coisas para a terceira idade, veteranos, escolas, saúde, estradas, mas depois não votam?”, insistiu.

O comício é da Aliança de Mudança para o Progresso (AMP), a coligação das três forças da oposição – Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT) de Xanana Gusmão, Partido Libertação Popular (PLP) de Taur Matan Ruak e Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO) de José Naimori.

A coligação nasceu depois da formação do Governo minoritário liderado pela Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), como uma Aliança de Maioria Parlamentar (AMP), e evoluiu para a nova nomenclatura na véspera da campanha, com o regresso a Timor-Leste de Xanana Gusmão após meio ano de ausência em que liderou as negociações com a Austrália para o tratado de fronteiras marítimas.

Escondida nas montanhas de Aileu, a sul de Díli, a vila do Remexio foi palco de um reencontro histórico quando a 24 de outubro de 1999 Xanana Gusmão, acabado de regressar a Timor-Leste depois de estar preso na Indonésia durante sete anos se reencontrou com o seu sucessor no comando do braço armado da resistência, Taur Matan Ruak.

A força do CNRT na região nota-se pelas muitas bandeiras que decoram as casas ao longo da estrada íngreme e esburacada que leva à pequena vila.

Aqui, como noutras zonas, a ‘cor’ política de muitos habitantes veste-se à porta de casa ou dos quiosques, nas bandeiras atadas a paus mais ou menos direitos de bambu. E se há bandeiras de várias das forças concorrentes, incluindo muitas da Fretilin, as dominantes nesta zona são as do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT).

No próprio minicomício, e apesar do esforço da AMP ‘marcar’ a identidade da coligação, uma fatia significativa das bandeiras são do CNRT, o partido que liderou o Governo entre 2007 e 2017 enfrentando, nos cinco últimos anos as críticas do Presidente Matan Ruak.

O choque entre os dois foi particularmente aceso – o Presidente criticou repetidamente o programa e a ação do Governo, vetou o orçamento e chegou a comparar Xanana Gusmão ao ditador indonésio Suharto.

As diferenças parecem resolvidas. Ainda que alguns veteranos em Timor-Leste digam que se trata de uma tática de guerrilha: une-te ao teu adversário, para combater o inimigo comum, neste caso a Fretilin.

Como se evidenciou, no palco, antes de Matan Ruak, com a intervenção de um veterano da zona, Gil da Costa Monteiro, natural de Ainaro, ainda mais a sul, mas que durante o período da resistência à ocupação indonésia operava na zona, com o nome código Uan Soru.

Um discurso praticamente virado para o passado, para o período da luta, para comentários sobre quem é quem, quem fez o quê, com críticas aos líderes da Fretilin, e ao seu líder, Mari Alkatiri.

Depois, num discurso mais calmo, Taur Matan Ruak falou do processo político dos últimos meses até às eleições antecipadas de 12 de maio, um voto do qual, defendeu, deve sair “um parlamento forte e um Governo forte” para liderar o desenvolvimento do país.

“Não podemos perder tempo. Um Governo forte precisa de líderes fortes e a AMP tem líderes fortes e experimentes”, afirmou.

“Muitos dizem que a AMP não tem programa. Mas temos programa nacional e programas municipais. Isso é o mais importante para a nação. Aileu, por exemplo, será a Cidade Universitária”, contou.

O programa, disse, quer lidar com os problemas essenciais que a população continua a relatar: desde os veteranos e ex-combatentes, á habitação, saúde e estradas com “um investimento de qualidade na educação”.

“Temos muitos jovens. Temos que investir na educação e emprego. Para criar uma oportunidade de melhorar a qualidade de vida. Temos que aumentar a produção agrícola”, afirmou.

Um processo, afirmou, para que “não bastam palavras de ordem” mas sim um manual político e um programa que “sirva o desenvolvimento do país”.

Sem os dois líderes com quem tem dividido muitos dos palcos da campanha – Xanana Gusmão saiu hoje do país para uma deslocação a Nova Iorque e José Naimori estava noutro evento partidário – Matan Ruak pediu que todos votem e que “concentrem os votos”.

“O CNRT no Remexio tem muito apoio e agora a AMP tem muito apoio”, disse, afirmando que “é tempo de unir” esforços.

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