Economia

Marques Mendes não vê “alternativa” a austeridade de “efeito perverso”

marques_mendesO ex-presidente do PSD, Luís Marques Mendes, acha que as medidas de austeridade previstas na proposta de Orçamento de Estado “têm um efeito perverso”, como o agravamento da recessão e até uma “desmotivação dos funcionários públicos”. No entanto, Marques Mendes não encontra “alternativa”, em virtude de um cenário de “emergência” que Portugal enfrenta.

Luís Marques Mendes reagiu ao Orçamento de Estado de 2012, horas depois de ouvir o Presidente da República, Cavaco Silva, tecer duras críticas ao documento proposto pelo Governo.

O ex-líder social-democrata não concorda com o chefe de Estado, por considerar que Portugal não tem outro caminho. Assim, compreende as opções de Passos Coelho, apesar de defender que a proposta vai provocar reações nefastas na economia.

As medidas de corte de subsídios de Natal e férias, segundo Luís Marques Mendes, “podem desmotivar os funcionários públicos”, que se sentirão obrigados a pagar uma fatura para a qual todos contribuíram.

Esta austeridade inscrita no Orçamento de Estado terá “efeitos perversos”, porque contribuirá para um agravamento da crise, para um aumento do desemprego e para um adiamento das perspetivas de crescimento económico.

Outros problemas que este Orçamento poderá acarretar são “os perigos de evasão fiscal”, gerados em cenário de dificuldade, o que pode comprometer as previsões de receitas pela via dos impostos.

O ex-líder social-democrata alega, no entanto, que o Governo “não teria alternativas”, em virtude do cenário de “emergência financeira” com que se depara. “Algumas medidas são extremamente difíceis, mas tem de ser tomadas. Numa situação de emergência, Portugal não tem alternativa”, referiu o social-democrata.

A necessidade de combater a dívida e cumprir o défice coloca Passos Coelho perante um único caminho: aquele que Cavaco Silva apelida de atropelo à “coesão nacional”.

Marques Mendes, que participava numa conferência de militantes do PSD, em Lisboa, não quis responder diretamente ao Presidente da República. Mas deixou no ar a ideia de que as preocupações do chefe de Estado fazem algum sentido.

“Coesão nacional em causa”

Cavaco Silva, recorde-se, teceu duras críticas à política fiscal do executivo de Passos Coelho e com uma frase sintetiza a sua discordância, manifestada repetidamente antes desta legislatura: “Mudou o Governo, mas eu não mudei de opinião”.

O Presidente da República falava de igualdade de repartição de sacrifícios e, na sua opinião, ao retirar benefícios a uns, sem que outros contribuam do mesmo modo, para ultrapassar a crise, “põe em causa a coesão nacional”. Para Cavaco, cortar um subsídio é o mesmo que criar um imposto a uma classe – neste caso, os funcionários públicos.

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