Motociclismo

Mário Patrão o bom samaritano

O altruísmo de Mário Patrão sobressaiu na 11ª etapa do 42º Rali Dakar, que hoje se cumpriu entre Shubaytah e Haradh. É que na especial de 379 quilómetros o piloto de Seia parou para ajudar o holandês Edwin Staver.

O piloto da moto # 40 tinha caído uns metros à frente de Mário Patrão, que certamente se recordou do malogrado Paulo Gonçalves e nem um minuto hesitou em prestar assistência ao seu adversário.

Depois de uma jornada em que mostrou destreza na assistência às motos da sua equipa, a KTM, o titular da moto # 31 foi tentar perceber do estado de Staver e alertou de imediato a organização sobre o socorro a prestar ao infeliz piloto holandês.

“Estava a ir no meu ritmo e ao km 120, enquanto estava a tentar encontrar um waypoint, vi um piloto caído, chamei de imediato a equipa médica e estive a prestar auxílio até à sua chegada. Senti a pulsação no pescoço dele assim que me aproximei, mas de repente deixei de sentir, não consigo verbalizar tudo o que senti: sozinhos no meio do deserto, num cenário absolutamente dantesco”, começou por explicar Mário Patrão à chegada ao acampamento.

Quando o socorro chegou o piloto português ficou mais aliviado: “A equipa médica finalmente chegou e realizou com sucesso as manobras de reanimação. Foram os 10 minutos mais longos da minha vida, só saí quando o entubaram e o levaram. Não sei como ele está”.

“Percebi que era muito grave. Ainda tinha pela frente 250 km de especial para fazer, mas estava psicologicamente arrasado com o que tinha acabado de suceder, e o meu corpo não queria avançar. Subi para a moto sem saber como estaria o Edwin. Felizmente consegui terminar e chegar ao bivouac”, relatou ainda Mário Patrão.

Sobre os quilómetros que ficaram para trás o piloto da KTM # 31 referiu: “Foram dois dias da etapa maratona. Ontem estive a fazer revisão nas motas. Felizmente estavam todas bem e assim sendo, foi cumprido um dos nossos objetivos: o de que todas as motos da equipa voltassem ao bivouac sem problemas. Foi um dia com muitas dunas”.

A classificação acabou por ser a menor das preocupações de Mário Patrão, que foi 33º na etapa depois da organização ter corrigido o tempo perdido no auxílio a Edwin Stever . O piloto de Seia segue no 32º posto da classificação geral das duas rodas.

Amanhã disputa-se a derradeira etapa, entre Haradh e Quiddiya, com um total de 447 quilómetros, 374 dos quais ao cronómetro.

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