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Marcelo diz que não se pode generalizar comportamentos em casos de violência na Grande Lisboa

O Presidente da República considerou hoje que a “posição sensata” sobre os casos de violência dos últimos dias na Grande Lisboa é não generalizar nem os comportamentos dos cidadãos envolvidos, nem a atuação da polícia.

“Penso que a posição que é a posição sensata é não generalizar neste tipo de acontecimentos, não generalizar nem o comportamento de cidadãos isolados, que venham a ser considerados censuráveis, nem o comportamento de elementos de forças de segurança isolados, que venham a ser considerados censuráveis”, disse Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República fez estas declarações aos jornalistas no final de um encontro com alunos no liceu Passos Manuel, em Lisboa, a quem deu uma ‘aula’.

Ao longo das duas horas que durou a ‘aula’, este assunto foi abordado várias vezes.

Questionado sobre a desconfiança manifestada pelos jovens relativamente à atuação da polícia, Marcelo Rebelo de Sousa notou que “houve intervenções preocupadas e foram aplaudidas por uma parte da sala, mas outra parte da sala, tão numerosa ou mais numerosa do que aquela que aplaudiu, reagiu ao contrário”.

“E, portanto, não fazer um juízo radical dizendo – esta comunidade ou este tipo de comunidade levantam problemas, ou as instituições, tão importantes para a defesa do Estado do direito democrático, como as forças de segurança, como um todo são passíveis do juízo que diz respeito, ou venha a dizer respeito, a elementos isolados num determinado momento também isolado”, sublinhou.

Pelo contrário, o chefe de Estado tentou incutir aos jovens a necessidade de “combater essa radicalização”.

“Foi isso que tentei explicar aos jovens, mesmo aos mais apaixonados, é que uma posição apaixonada e radical de um lado gera posição apaixonada e radical do outro lado. Isso é o contrário do que precisamos na convivência social”, disse.

O chefe de Estado acrescentou ainda que “não se deve generalizar o juízo efetuado sobre uma realidade tão complexa”.

“O importante é trabalhar pela concórdia, pela aproximação, pela convergência e não radicalizar situações e generalizar situações”, afirmou.

Três dezenas de caixotes do lixo e ecopontos foram incendiados durante a noite de hoje em toda a área do Comando Metropolitano de Lisboa (COMETLIS), com especial incidência no concelho de Sintra, revelou a PSP.

De acordo com a mesma fonte, ardeu um autocarro em Setúbal, pelas 02:35, na Avenida Bento de Jesus Caraça.

Fonte da PSP disse ainda que foram detidas três pessoas, mas a polícia ainda está a investigar se estão ou não relacionadas com o incidente do autocarro.

As últimas noites têm sido marcadas por diversos atos de vandalismo na Área Metropolitana de Lisboa e em Setúbal.

Estes atos começaram depois de uma manifestação, na segunda-feira, em Lisboa, contra a violência policial, após uma intervenção da PSP no bairro da Jamaica, no Seixal (Setúbal), no domingo, que resultou em incidentes entre os moradores e a polícia que provocaram cinco feridos civis e um agente.

Num comunicado anterior, a PSP esclareceu que “nada indicia, até ao momento, que [estes incidentes] estejam associados à manifestação” de protesto que decorreu na segunda-feira, em frente ao Ministério da Administração Interna.

Após a manifestação de segunda-feira em Lisboa, quatro pessoas foram detidas na sequência do apedrejamento de elementos da PSP por participantes no protesto.

O Ministério Público e a PSP abriram inquéritos aos incidentes no bairro da Jamaica.

Entretanto, a PSP reforçou nos últimos dias o policiamento na Bela Vista, em Setúbal, e em algumas zonas dos concelhos de Loures, Odivelas e Sintra (distrito de Lisboa), após os incidentes registados com o lançamento de “cocktails Molotov” contra uma esquadra e o incêndio de caixotes do lixo, ecopontos e de várias viaturas.

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