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Linces ibéricos regressam a Mértola, mas caçadores julgam ser cedo

lince iberico bebe 210 O ICN vai libertar hoje, em Mértola, um casal de linces ibéricos criado em cativeiro. É o regresso de uma espécie extinta em Portugal, mas há quem julgue ser ainda demasiado cedo: pode faltar coelho para a caça por humanos e por estes dois felinos.

A partir de hoje, Portugal volta a ter linces ibéricos em liberdade. Um casal criado em cativeiro vai ser hoje libertado no Parque Natural do Vale do Guadiana.

A espécie foi extinta, mas através da criação em cativeiro tem sido possível lutar pela reintrodução do lince ibérico em Portugal. Um dos animais vem de Espanha, enquanto o outro cresceu em Silves, no Centro Nacional de Reprodução de Lince Ibérico.

“Vamos reintroduzir uma espécie que se extinguiu no país”, destacou o secretário de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Miguel Castro Neto, comentando para a TSF este marco “único e extraordinário na história da conservação da natureza em Portugal”.

A reintrodução será feita numa área vedada do parque, com cerca de 2000 hectares. Os técnicos do Instituto de Conservação da Natureza (ICN) acreditam que, a partir de janeiro, o casal esteja apto a explorar todo o parque do Guadiana.

Para monitorizar os dois linces, ambos terão uma coleira com um sinalizador por GPS.

Há coelho?

A decisão de reintroduzir os linces ibéricos já tem críticos. Jacinto Amaro, presidente da Federação Portuguesa de Caça, adiantou à TSF que os caçadores entendem ter sido uma medida precipitada, alegando que a população de coelho bravo não é suficiente.

É que, para além do coelho bravo ser a principal presa do lince, é um dos principais atrativos para os caçadores.

“A população de coelhos, por causa da nova estirpe da doença vírica hemorrágica, caiu drasticamente. Não há a mínima condição para os linces se alimentarem da população de coelhos”, afirmou Jacinto Amaro.

Confrontado com esta crítica, Miguel Castro Neto lembrou que, entre as federações de caçadores, só a presidida por Amaro recusou assinar o Pacto Nacional para a Conservação do Lince Ibérico.

Segundo o secretário de Estado, na área vedada existe uma população de 3,5 coelhos por hectare.

Para a Quercus, a alegada falta de coelhos não é um problema: os caçadores podem ser, acrescentou José Paulo Martins.

“Sabemos que em Espanha os atropelamentos têm sido uma importante causa de mortalidade. Os animais vão ser introduzidos em zona de caça. Será preciso acompanhar essas situações”, afirmou.

Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza, o lince ibérico encontra-se em sério risco de extinção.

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