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Irão adverte que a sua paciência terminou e considera decisiva reunião em Viena

O Irão advertiu que a sua paciência em relação à questão do acordo nuclear de 2015 “terminou”, considerando “decisivo” o resultado da reunião dos signatários do pacto que decorre hoje em Viena.

“Esta reunião é importante e decisiva. Pensamos que nesta reunião se determinará a decisão final sobre o destino do JCPOA (Plano Integral de Ação Conjunta, designação do pacto) e a questão da permanência ou não permanência do Irão no acordo”, disse hoje o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Mussavi, à imprensa durante uma cerimónia para assinalar o 32.º aniversário do bombardeamento químico da localidade de Sardasht (noroeste) pelo Iraque.

O acordo assinado com os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China) e a Alemanha estabelece limites ao programa nuclear iraniano em troca do levantamento das sanções internacionais.

Há um ano, os Estados Unidos abandonaram unilateralmente o pacto, restabelecendo sanções que arruínam a economia do Irão, e as medidas adotadas até agora pela Europa em contraponto não têm sido eficazes.

Em maio, Teerão anunciou que deixaria de respeitar dois dos seus compromissos no âmbito do acordo, renunciando a limitar as suas reservas de água pesada e de urânio enriquecido.

Deu ainda um prazo de 60 dias, que termina a 07 de junho, para os Estados ainda signatários o ajudarem a contornar as sanções norte-americanas, ameaçando em caso contrário deixar de respeitar as restrições do acordo sobre o grau de enriquecimento de urânio e retomar o projeto de construção de um reator de água pesada em Arak (centro).

“Sentimos que a paciência da República Islâmica do Irão para o cumprimento unilateral deste acordo multilateral se está a esgotar”, advertiu Mussavi.

“Caso nesta reunião se consigam resultados tangíveis e bons e as outras partes cumpram com os seus compromissos e apliquem o que até agora deveriam ter aplicado existirá a possibilidade de manter o JCPOA, um acordo multilateral que é proveitoso para a região e o mundo”, insistiu.

Adiantou que em caso contrário, a existência do pacto estará em risco e uma das opções do Irão será retirar-se do acordo.

A reunião de acompanhamento da aplicação do acordo, presidida pela Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Federica Mogherini, conta com a participação da Alemanha, França, Reino Unido China, Rússia e Irão.

“Se virmos que o que dizem (os restantes signatários) é o costume e repetitivo, a existência do JCPOA estará em risco”, disse ainda Mussavi, indicando que “a retirada do Irão” do acordo “será uma das opções”.

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