Europa

Integração melhorou mas potencial dos migrantes é desaproveitado

Muitos países fizeram “importantes melhorias” na integração dos imigrantes, mas as aptidões destas pessoas, por exemplo a nível académico, continuam a ser desaproveitadas, dificultando a sua progressão económica e inclusão social, segundo um relatório hoje divulgado.

A conclusão consta do relatório “Settling In 2018: Indicadores de Integração de Imigrantes”, documento conjunto da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e da União Europeia (UE).

“Os países fizeram importantes melhorias nas suas políticas para promover a integração dos imigrantes e dos respetivos filhos no setor da educação, no mercado de trabalho e na vida social desses países”, afirmou o secretário-geral da OCDE.

Angel Gurría falava no lançamento do relatório em Marraquexe, Marrocos, na véspera de uma conferência intergovernamental que será marcada pela adoção do Pacto Global para uma Migração Segura, Ordenada e Regular (GCM, na sigla em inglês), documento promovido e negociado sob os auspícios das Nações Unidas.

“No entanto, ainda há muito a ser feito para maximizar o potencial ainda inexplorado dos migrantes de maneira a contribuir económico-socialmente para os países destinatários”, reforçou o representante, que assina o relatório com o comissário europeu para as Migrações, Dimitris Avramopoulos.

Entre os vários dados expostos em mais de 300 páginas, o relatório indica que o número de imigrantes altamente qualificados cresceu em praticamente todos os 36 países que integram a OCDE e os 28 Estados-membros da UE. Portugal é membro das duas organizações.

Segundo o documento, o aumento foi de sete pontos percentuais na última década.

Apesar deste panorama, o relatório elaborado pela OCDE e a UE aponta que muitas vezes os altos níveis de educação dos imigrantes não se traduzem em melhores resultados no mercado de trabalho, advertindo que as situações de pobreza relativa entre imigrantes estão hoje mais disseminadas do que há uma década, o que amplia a desigualdade com as comunidades locais.

Ainda no campo escolar e académico, o relatório indica que a escolaridade das crianças e dos jovens com pais imigrantes também aumentou nos últimos dez anos, registando-se melhores resultados e níveis mais baixos de taxas de abandono escolar.

No entanto, o documento frisa que as crianças imigrantes continuam atrasadas no campo escolar em relação às crianças com pais não-imigrantes, principalmente na Europa.

Na análise do mercado laboral, o documento refere que os homens imigrantes têm uma taxa de emprego superior em três pontos percentuais em relação aos homens não-imigrantes.

Já as mulheres imigrantes têm uma taxa de emprego inferior em um ponto percentual quando comparada com os níveis de empregabilidade das mulheres não-imigrantes, uma diferença que aumenta para seis pontos percentuais quando se observa, em termos globais, o mercado laboral da Europa.

Essa diferença entre mulheres imigrantes e mulheres não-imigrantes intensifica-se em alguns países, como a Bélgica e França (14 pontos percentuais) ou a Holanda (com quase 17 pontos percentuais).

Ainda dentro do espaço da UE, o documento destaca que cerca de 14 por cento das pessoas nascidas no estrangeiro são alvo de discriminação devido à etnia, nacionalidade ou raça.

O relatório também observa que quase um terço dos migrantes não-europeus na Europa habita em bairros fortemente conotados com a respetiva origem étnica.

Em todos os países mencionados, frisa ainda o relatório, a maioria dos imigrantes expressa um forte sentimento de pertença em relação aos países destinatários, com mais de 80 por cento a afirmar que se sentem próximos ou muito próximos.

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