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Ferro responde a Berardo que presidente da AR não pode interferir nas comissões

O presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, respondeu hoje ao empresário José Berardo, que se queixou que o seu bom nome foi atacado no parlamento, explicando que não pode “interferir no funcionamento das comissões parlamentares de inquérito”.

Na segunda-feira, José Berardo enviou uma carta aberta ao presidente da Assembleia da República, na qual considerou que o seu bom nome foi atacado e violados os seus direitos fundamentais na audição na comissão parlamentar de inquérito à Caixa Geral de Depósitos (CGD) em 10 de maio.

“A carta aberta que José Manuel Rodrigues Berardo endereçou ontem [segunda-feira] ao presidente da Assembleia da República, e da qual Eduardo Ferro Rodrigues tomou conhecimento, em primeira mão, através da comunicação social, foi respondida esta tarde pelo seu gabinete”, refere uma nota enviada à agência Lusa.

Nessa resposta, segundo a mesma nota, José Berardo foi “informado de que, nos termos legais e regimentais, não pode o presidente da Assembleia da República interferir no funcionamento das comissões parlamentares de inquérito”, uma vez que estas “exercem a sua atividade com total independência, dentro do quadro legal em que foram constituídas”, e gozam dos “poderes de investigação próprios das autoridades judiciais e demais poderes e direitos previstos na lei e na Constituição da República”.

Na mesma missiva, o empresário foi ainda informado que a carta aberta divulgada na segunda-feira – e que foi recebida no gabinete de Ferro Rodrigues às 20:05, por via digital – foi remetida ao presidente da II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco “para conhecimento e demais efeitos tidos por convenientes”.

É ao presidente da comissão “a quem compete garantir o seu regular funcionamento e zelar pela realização dos direitos e cumprimento dos deveres de todos os intervenientes”, acrescenta a mesma nota.

José Berardo garantiu, na carta aberta a que agência Lusa teve acesso, que já pagou, quase só em juros, cerca de 231 milhões de euros à banca a “troco de nada”, rejeitando a ideia de ter ficado “com muitos milhões” dos portugueses.

“Nem eu, nem nenhuma entidade entidade ligada a mim, alguma vez tivemos ao nosso dispor […] dinheiro que tenha sido emprestado pela CGD [Caixa Geral de Depósitos], ou por outros bancos”, assegurou José Berardo.

O empresário indicou ainda que todo o dinheiro foi perdido “por ter sido imediatamente usado na aquisição de ações” e acrescentou que, quase só em juros, já pagou quase 231 milhões de euros à banca.

“E como se não bastasse o ataque ao meu património, tenho agora que defender-me do ataque ao meu bom nome”, vincou numa carta com cinco páginas.

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