Economia

Inflação a 4% iria anestesiar a desvalorização da dívida, defende o presidente da Gulbenkian

artur_santos_silvaA subida da inflação poderá ser o caminho para a recuperação da economia nacional. A tese é defendida pelo presidente da Fundação Gulbenkian, Artur Santos Silva, para quem o aumento dos preços iria “anestesiar” a desvalorização do stock de dívida pública “com o tempo”.

Com a Alemanha a exigir austeridade e o novo Presidente francês a prometer batalhar pelo investimento público, um antigo banqueiro português avança com uma ‘terceira via’ para salvar a economia nacional. Artur Santos Silva, presidente da Fundação Gulbenkian, considera que uma subida da inflação – autorizada pelo Banco Central Europeu – seria uma forma de aliviar as perdas dos credores ao longo do tempo.

“Quanto à inflação, se falássemos de um patamar de 4 por cento, por exemplo, em vez de 2 por cento, isso melhoraria, com o tempo, os rácios défice público/PIB e dívida pública/PIB, porque o PIB nominal teria uma expressão maior”, defendeu o fundador do BPI, justificando: “o stock de dívida pública desvalorizava-se com o tempo e era uma maneira de os credores participarem sem necessidades de perdas de capital, anestesiadas por uma inflação um pouco mais ativa”.

Artur Santos Silva, que almoçou com empresários num encontro organizado pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola, lembrou que o efeito positivo “mais importante” é servir de alternativa à descida dos custos do trabalho: “os ganhos de competitividade de que certos países precisam, se houvesse uma inflação mais alta, era mais fácil, em vez de reduzir salários, aumentá-los abaixo da inflação”. Esta medida seria imitada no setor privado, permitindo atingir “os níveis de salários de que o País precisa para ser mais competitivo”.

O presidente da Fundação Gulbenkian admite que estas mudanças poderiam provocar polémica, o que lhe permitiu deixar um alerta ao Governo: “as reformas deviam ser mais bem calendarizadas e comunicadas. Seria mais mobilizador para sabermos todos que as coisas estão a ser feitas”.

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