EUA

Indústria do açúcar pagou para ocultar das pesquisas conclusões incómodas

Alguns representantes da indústria açucareira terão manipulado pesquisas da Sugar Research Foundation, sobre os efeitos do açúcar na saúde. O objetivo era passar a mensagem de que os problemas cardíacos se deviam apenas ao colesterol e às gorduras saturadas. Estas são as conclusões de um estudo publicado pelo jornal Jama Internal Medicine.

Segundo adianta o periódico JAMA, a Sugar Research Foundation (SRF), com sede nos EUA, terá feito pagamentos de dezenas de milhar de euros a investigadores por um artigo publicado, em 1967, no ‘The New England Journal of Medicine’. O objetivo desse financiamento seria esconder os riscos do consumo do açúcar nas doenças cardiovasculares.

Três investigadores da Universidade da Califórnia, nos EUA, debruçaram-se sobre documentos históricos, escondidos nos arquivos da Sugar Research Foundation (SRF).

Esses documentos, sigilosos, remontavam a uma altura em que os riscos do açúcar nas nos doenças cardiovasculares eram alvo de preocupação e de estudo.

O ‘The New England Journal of Medicine’ terá publicado um estudo, em 1967, financiado pela SRF, classificando que “os métodos das pesquisas que associaram o açúcar a um fator de risco são limitados”.

Agora, num artigo intitulado ‘Sugar industry and coronary disease research: a historical analysis of internal industry documents’ [‘A indústria do açúcar e a pesquisa sobre a doença coronária: uma análise histórica de documentos confidenciais’], alega-se que houve patrocínios por parte da indústria do açúcar, com a finalidade de ocultar informação incómoda.

Os investigadores concluem também que aquela indústria financiou outras pesquisas, entre os anos 60 e 70. Sempre com o objetivo de afastar o açúcar da lista de produtos perigosos. O Programa Nacional de Cáries dos EUA, por exemplo, terá sido influenciado pelos interesses da indústria.

Como resultado destas pressões, acredita-se que poucos cientistas tivessem real conhecimento sobre os efeitos do açúcar nas doenças coronárias.

O estudo de 1967

De acordo com este estudo do JAMA, a SRF acompanhou toda a pesquisa realizada na década de 60, e terá mesmo analisado o texto final, antes da publicação.

Na versão definitiva do trabalho, apenas a obesidade e o colesterol estavam os principais fatores de riscos da doença.

Os investigadores sobrevalorizaram os efeitos do colesterol e da gordura, minimizando os problemas provocados pelo consumo do açúcar.

Um comité terá fornecido diretrizes nutricionais ao governo norte-americano, garantindo que não existia “uma relação perceptível” entre o colesterol e as doenças cardíacas, ainda que recomendasse um consumo regrado de gorduras saturadas.

Mais tarde, em 1984, o ‘The New England Journal of Medicine’ terá aplicado novas regras, para evitar conflitos de interesses entre diferentes indústrias cujos profissionais acompanham estudos.

As condições de financiamento a estudos científicos ficaram mais claras e as políticas públicas de apoios da indústria alimentar são mais restritivas.

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