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Indígenas do Brasil alertam para “escalada de ódio” após morte de líderes nativos

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) alertou hoje, em comunicado, para a “escalada de ódio e barbárie incitados pelo Governo perverso de Jair Bolsonaro”, após o assassinato, no sábado, de mais dois líderes nativos.

“No último sábado, mais duas lideranças indígenas foram assassinadas (…) Esses crimes refletem a escalada de ódio e barbárie incitados pelo Governo perverso de Jair Bolsonaro, que continua a atacar-nos diariamente, negando o nosso direito de existir e incitando a doença histórica do racismo do qual o povo brasileiro ainda padece”, disse em comunicado a APIB.

Na manhã de sábado, dois membros da tribo Guajajara foram mortos a tiro e outros dois ficaram feridos numa estrada que corta uma reserva, no estado brasileiro do Maranhão.

Foram mortos os caciques Firmino Praxede Guajajara, da Terra Indígena Cana Brava, e Raimundo Belnício Guajajara, da Terra Indígena Lagoa Comprida.

As autoridades informaram que os disparos foram feitos por criminosos que estavam dentro de um veículo branco, mas não identificaram nenhum suspeito.

Foi também no Maranhão, há pouco mais de um mês, que ocorreu o assassinato de outro líder indígena, Paulo Paulino Guajajara, que atuava como guardião da floresta.

“Estamos à deriva, sem a proteção do Estado brasileiro, cujo papel constitucional está a ser negligenciado pelas atuais autoridades. O Governo federal é um Governo fora da lei, criminoso na sua prática política e opera de maneira genocida com vista a expulsar-nos dos nossos territórios, massacrando a nossa cultura, fazendo sangrar as nossas raízes”, acusou a associação.

A APIB reforçou que “um ataque à vida indígena é um ataque contra a humanidade” uma vez que os povos indígenas de todo mundo são “defensores de 82 por cento de toda biodiversidade global”.

“No Brasil somos quase um milhão de indígenas. Preservamos 13 por cento dos ecossistemas brasileiros. Estamos no país inteiro”, acrescentou a mesma nota.

Após a morte a tiro de dois indígenas no fim de semana, o ministro da Justiça do Brasil, Sergio Moro, autorizou hoje o envio de tropas da Força Nacional para atuarem na região.

“A Polícia Federal vai investigar o assassinato dos indígenas Guajajaras. Autorizei ainda o envio da Força Nacional de Segurança Pública para a região, a fim de evitar qualquer novo incidente criminoso”, escreveu o governante na rede social Twitter.

Mais de 20 lideranças indígenas estão hoje na capital espanhola, Madrid, a propósito da 25.ª Conferência das Partes (COP25) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, onde protestaram contra os assassinatos de povos originários.

“Muito se fala sobre combater as mudanças climáticas, mas é preciso entender que a nossa sobrevivência é garantia de preservação do que mais importa para o futuro da humanidade. A mãe terra não aguenta por mais 50 anos esse modelo económico predatório. Sabemos que estamos em perigo e que não há mais tempo”, disse a delegação.

E a APIB acrescentou : “Aqui nesta COP 25, em que estamos com uma delegação histórica de mais de 20 indígenas de todo o Brasil presentes, exigimos que os direitos dos povos indígenas sejam respeitados na total implementação do Acordo de Paris”.

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