Justiça

Identificação dos arguidos do caso Hells Angels começou às 22h00

A identificação dos 58 arguidos do caso Hells Angels hoje presentes a tribunal começou cerca das 22h00, com a juíza a proceder à identificação em grupos de oito, adiantaram à Lusa alguns advogados.

O arranque deste procedimento, que tem que estar concluído até às 07h00 de sexta-feira, esteve inicialmente marcado para as 17h00 de hoje, tendo mais tarde sido adiado para as 20h30, a hora a que apenas deu entrada no Tribunal de Instrução Criminal (TIC) de Lisboa o processo, remetido pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

Segundo os advogados, os defensores deverão ter acesso ao processo a tempo de poderem aconselhar os seus clientes a prestar, ou não, declarações em tribunal.

Esta primeira fase de identificação, e manifestação de vontade de prestar declarações perante a juíza precede o interrogatório, que apenas deverá acontecer a partir da tarde de sexta-feira.

Fonte do tribunal indicou que o processo de identificação dos arguidos terá de ficar encerrado na próxima madrugada, uma vez que às 07h00 de sexta-feira expira o prazo de 48 horas para serem levados ao juiz, considerando que as autoridades judiciais entenderam fazer a contagem do tempo a partir do início das buscas, como medida de uniformização para todos os detidos.

Ao todo, serão presentes à juíza de instrução Maria Antónia Andrade 58 arguidos, sendo que o 59.º se encontra detido na Alemanha.

Segundo outra fonte ligada ao processo, os arguidos foram todos concentrados nas instalações da Polícia Judiciária, em Lisboa, de onde estão a ser transportados desde o início da tarde em grupos pequenos para o Campus de Justiça.

Adiantou ainda que o processo tem mais de três mil páginas e que a maioria dos arguidos não deverá prestar declarações nos interrogatórios, uma situação que resulta do código de conduta do grupo motociclista Hells Angels.

Várias dezenas de elementos da PSP foram hoje destacados para proteger o perímetro do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa e transportar os detidos do grupo de motociclistas Hells Angels, informou a subcomissária daquela polícia Ana Carvalho.

A Polícia Judiciária deteve 59 elementos do grupo de motociclistas Hells Angels que estão indiciados por tentativa de homicídio, roubo, ofensa à integridade física e associação criminosa.

De acordo com um mandado de detenção a que a Lusa teve acesso em causa está crimes de adesão e associação criminosa, homicídio qualificado na forma tentada, roubo, ofensas à integridade física graves, ofensa à integridade física qualificada, detenção e tráfico de armas proibidas e tráfico de estupefacientes.

Segundo o documento, datado de 28 de junho, os elementos do grupo “começaram a planear e organiz o ataque a elementos do grupo rival ´Bandidos MC´, pelo menos a partir de 19 de março de 2018”, tendo a partir daí organizado o transporte e deslocação de elementos do grupo para Lisboa, “com o propósito de, em conjunto e de forma organizada, agredirem os membros do referido grupo rival”, o que se concretizou a 24 de março num restaurante no Prior Velho, Loures.

A atuação “causou perturbação da paz e ordem púbica e justificado alarme social, receio e sentimento geral de insegurança entre a população”, de acordo com a fundamentação do mandado de detenção.

Na quarta-feira, a coordenadora da Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo Manuela Santos referiu, em conferência de imprensa, que acredita que muitos elementos ficarão em prisão preventiva, dada a gravidade os crimes pelos quais estão indiciados.

Quatro dos 59 elementos dos Hells Angels foram detidos em flagrante por posse de arma de fogo.

O grupo Hells Angels existe em Portugal desde 2002 e, desde então, tem sido monitorizado pela polícia.

Os atos violentos ocorridos em março no Prior Velho, Loures, que envolveram dois grupos rivais de motards, Hells Angels e Red&Gold, e que fez seis feridos, dos quais três graves foi a primeira manifestação mais violenta da organização que levou a PJ a agir.

A operação policial de desmantelamento do grupo também teve em conta a realização, de 19 a 22 julho, do encontro de Motards de Faro, onde poderiam ocorrer novamente confrontos entre os dois grupos.

Segundo a PJ, 58 elementos foram detidos em Portugal e um na Alemanha, através de um mandado de detenção europeu.

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