Ciência

I3S vai procurar marcadores das diferentes resistências à covid-19

Uma equipa do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), no Porto, vai tentar identificar marcadores genéticos que indiquem se uma pessoa é mais ou menos suscetível à infeção pelo vírus da covid-19.

“Nas doenças infecciosas existem causas genéticas, causas ambientais e virais que fazem com que algumas pessoas possam ser mais suscetíveis do que outras em relação à infeção por SARS-CoV-2”, explicou a investigadora Luísa Pereira, em declarações à Lusa.

O estudo vai assim avaliar marcadores genéticos de 2000 pessoas, metade das quais estiveram infetados e a outra metade fez pelo menos um teste que “deu negativo”.

“O nosso objetivo é fazer este estudo de associação ao nível de todo o genoma humano em que comparamos o perfil genético de pessoas que estiveram infetadas com o grupo de pessoas que não estiveram infetadas. Algumas das variantes podem ser aquelas que nos tornam suscetíveis ou não à infeção”, salientou a investigadora.

A equipa acredita que será ainda possível traçar uma correlação entre pessoas que coabitam sem que partilhem informação genética.

“Os indivíduos não podem estar relacionados [geneticamente] porque assim também estávamos a enviesar o estudo. Vamos tentar fazer no mesmo agregado familiar, ou seja, pessoas casadas ou que moram juntas. Portanto, vamos tentar perceber porque é que determinada pessoa deu negativo no teste, mas esteve exposta ao vírus porque partilha habitação com uma pessoa que esteve infetada”, explicou.

A expetativa é que, nos próximos seis meses, seja possível “identificar alguma variante genética que seja estatisticamente mais frequente no grupo de pessoas infetadas e o oposto”, traçando um primeiro perfil de uma pessoa mais suscetível à infeção por covid-19 e de uma mais resistente ao novo coronavírus.

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