Ciência

Há água em Marte. E é salgada, diz a NASA

O ‘planeta vermelho’ tem algo de azul. A NASA confirmou que existe água em Marte. Em estado líquido e salgada, o que facilita uma futura exploração. “Não é o planeta seco e árido que imaginávamos no passado”, admitiram os cientistas da agência norte-americana.

A expetativa era grande, depois da forma como a NASA anunciou para hoje a explicação de um “mistério” sobre Marte, e a agência espacial norte-americana não desiludiu. “Há água em Marte”, revelaram os especialistas.

A conferência de imprensa decorreu esta tarde, ao mesmo tempo que o britânico The Guardian avançava com os pormenores sobre a informação que estava a ser revelada. Ou seja, enquanto a NASA revelava que existe mesmo água no ‘planeta vermelho’, o jornal publicava uma entrevista com o principal responsável pelo Programa de Exploração de Marte da agência norte-americana, Michael Meyer.

Assim se sabe que a água existente em Marte está presente no estado líquido, o que vai facilitar as futuras missões de exploração por astronautas (e favorece as teorias sobre a existência de vida), e é salgada.

Michael Meyer admitiu não se saber qual é a origem da água, mas a sua existência é sinal de ser “pelo menos possível ter um ambiente habitável atualmente” no planeta mais próximo da Terra.

De acordo com os peritos da NASA, essa água encontra-se no estado líquido durante o verão marciano, correndo por vales e crateras, como o provam os rastos deixados na superfície pelo fluxo, conforme é visível em fotografias tiradas pelos satélites em órbita.

As conclusões agora reveladas confirmam ainda as análises feitas pela equipa de Lujendra Ojha, do Instituto de Tecnologia do estado norte-americano da Georgia, que detetaram a existência de sais dissolvidos em água nessas linhas escuras que foram provocadas pelo fluxo da água.

A existência desses sais, descoberta através de uma espectroscopia (uma técnica de análise da luz), coincidia com as formações das tais linhas escuras à superfície, apelidadas de ‘Linhas Recorrentes nas Encostas’ (RSL, na sigla em inglês). Segundo Lujendra Ojha, como os sais hidratados só eram visíveis quando as linhas escuras apareciam, tudo aponta para que as RSL sejam provocadas por água corrente, tanto mais que esses sais ajudam a estabilizar a água no estado líquido.

A existência de água em estado líquido é que se tornou na grande revelação do dia, uma vez que a baixa pressão atmosférica leva a que a água facilmente passe para os estados gasoso (vapor) ou sólido (gelo).

A teoria indica, agora, que por baixo da superfície devem estar grandes depósitos subterrâneos de água salgada ou gelada, que sobe à superfície nos meses mais quentes, ou então que a água condensa a partir do vapor existente no ar, isto nos meses mais frios. É ainda de salientar que a órbita marciana difere da terrestre, sendo os verões mais quentes e os invernos mais frios.

“Se recuarmos três mil milhões de anos e olharmos para Marte, era muito diferente. Como Marte sofreu grandes alterações climáticas, perdeu a sua água de superfície”, resumiu Jim Green, diretor de ciência planetária da NASA, durante a conferência desta tarde.

O ‘planeta vermelho’ terá sido azul nesses tempos, rico em água. “Marte não é o planeta seco e árido que imaginávamos no passado. Hoje anunciamos que, nalgumas circunstâncias, encontrámos água líquida em Marte”, disse Jim Green.

John Grunsfeld, administrador da NASA, esteve presente na conferência com um fato de astronauta para deixar uma garantia ou promessa: “Nós vamos a Marte. Por favor mantenham-se atentos, porque a ciência nunca dorme”.

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