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Guiné-Bissau era o destino de várias armas e munições furtadas da PSP

A Guiné-Bissau era o destino de várias das armas e munições que foram furtadas do armeiro da PSP, caso que resultou na acusação de 12 pessoas, incluindo um agente da polícia.

Segundo a acusação do Ministério Público, Manuel Gonçalves das Neves, empresário avícola de Ansião, foi apanhado, em buscas realizadas em 25 de janeiro, na posse de várias caixas com centenas de munições e cartuchos cujo destino era o país africano e ainda 900 mil francos CFA, a moeda guineense.

O arguido, que está acusado de associação criminosa e tráfico de armas, tinha dissimulado entre caixas de ovos num contentor para enviar para a Guiné, 1.250 cartuchos.

Segundo o MP, Manuel das Neves possuía uma rede de contactos no mercado negro de venda de armas e munições na Guiné-Bissau fruto dos negócios que efetuava através da sua empresa.

Na tentativa de vender sete das pistolas Glock furtadas da direção nacional da PSP, por pouco mais de mil euros cada, Manuel das Neves contactou com Paulo Sampaio que recusou o negócio e o denunciou à polícia.

No entanto, o Ministério Público está convicto que o arguido conseguiu enviar para a Guiné-Bissau, sempre dissimulados entre produtos avícolas, centenas de cartuchos entre julho de 2017 e setembro de 2018.

O MP deduziu acusação contra 12 arguidos pela prática de peculato, associação criminosa, adesão a associação criminosa, tráfico e mediação de armas, branqueamento, detenção de armas e munições proibidas, recetação, tráfico de menor gravidade e consumo, entre os quais está um agente da PSP, responsável à data pelo armeiro da direção nacional.

O caso do furto das pistolas remonta a janeiro de 2017, quando foi detetado o desaparecimento do armeiro da sede da PSP de 57 armas Glock e respetivos estojos, dois carregadores e os ´kits´ de limpeza, após a apreensão de uma arma de fogo da polícia durante uma operação policial que decorreu no Porto.

Na altura, o Ministério da Administração Interna pediu uma auditoria na Inspeção-Geral da Administração (IGAI) para harmonização dos mecanismos de controlo de segurança do armazenamento de armas e munições das forças de segurança.

O inquérito interno da PSP apontou para “falhas na área da supervisão e controlo”, tendo sido abertos processos disciplinares aos elementos da “cadeia hierárquica” do Departamento de Apoio Geral da direção nacional.

O despacho de acusação do Ministério Público contra os 12 arguidos refere 55 pistolas furtadas cujo valor global ronda os 20 mil euros.

Lusa

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