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Governo diz que tecnologia permite acautelar riscos de dragagens no Tejo

O secretário de Estado do Ambiente disse hoje que a tecnologia existente e os engenheiros portugueses são capazes de acautelar os riscos ambientais das dragagens no rio Tejo, necessárias para a construção do novo terminal de contentores no Barreiro.

“O estudo [de impacto ambiental] identificou aquilo que eram os riscos, aquilo que são as medidas para lidar com esses riscos e há que fiscalizar, há que acompanhar, mas hoje em dia as tecnologias disponíveis permitem-nos fazer esse trabalho sem estar com a problemática do risco”, disse à agência Lusa Carlos Martins, durante uma visita ao parque empresarial do Barreiro, no distrito de Setúbal.

Para o secretário de Estado, as pessoas “têm que se habituar a confiar mais nas capacidades técnicas da engenharia portuguesa”, as quais, defendeu, têm mostrado capacidade para fazer obras de grande envergadura e de as fazer bem ambientalmente.

Segundo a associação Zero, em declarações à RTP na semana passada, a construção do terminal de contentores no Barreiro implica a retirada de 26 milhões de metros cúbicos de sedimentos do rio Tejo.

No entanto, Carlos Martins alertou que “não é a quantidade que traz risco ambiental”.

“Avaliando os riscos e gerindo os riscos, não é por a sua dimensão ser mais quantitativa ou menos quantitativa que o risco é mais elevado. Às vezes lidamos com quantidades imensas e não há risco nenhum ou risco zero, e outras vezes com quantidades pequenas podemos ter riscos maiores”, explicou.

Além disso, o governante lembrou que “uma boa parte” das areias serão reposicionadas, “o que quer dizer que não terão risco”, ou seja, que não têm na sua composição sedimentos químicos.

Em Setúbal, várias associações ambientalistas e munícipes têm-se manifestado contra as dragagens no rio Sado, que preveem a retirada de 6,5 milhões de metros cúbicos de areia, para alargamento e aprofundamento do canal de navegação do porto do concelho.

Neste sentido, Carlos Martins não afastou a hipótese de que o mesmo aconteça em relação às dragagens no rio Tejo, mas afirmou que a mudança é necessária.

“As pessoas às vezes acreditam que deixando tudo na mesma as coisas ficam mais confortáveis, mas o mundo é composto por mudança e muitas vezes temos é que fazer essa mudança, estudando bem, sabendo como é que devemos encarar os desafios que temos pela frente”, referiu.

O governante frisou também que não se pode fazer comparações entre coisas que “são muito estudadas” e “intuições”.

“Os portugueses têm muita tendência para achar, mas o ‘achismo’ não é a melhor maneira de abordar temas tão complexos”, defendeu.

Já o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Frederico Rosa, também presente na visita, disse à Lusa que o principal constrangimento do terminal de contentores já está resolvido, referindo-se à anterior localização prevista.

“Inicialmente tapava-nos a vista sobre Lisboa e isso para nós era inaceitável e conseguimos nesta consulta pública acomodar o terminal na zona industrial, compatibilizando-o também com a terceira travessia sobre o Tejo”, avançou.

A mudança paisagística tem sido apontada como um dos principais impactos negativos desta infraestrutura, mas Frederico Rosa realçou que está “bem acomodada na zona industrial” e que está a ser estudada uma “zona verde para minimizar o impacto da maquinaria”.

O presidente da câmara lembrou ainda que estas questões têm que ser vistas “num balanço” e que o terminal de contentores vai permitir a “fixação de empresas e emprego”.

O Estudo de Impacte Ambiental desta infraestrutura está em consulta pública até 07 de dezembro, com um investimento previsto de 600 milhões de euros e a criação de 500 postos de trabalho.

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