África

Governo de Cabo Verde promete diálogo com associações para proteger tartarugas marinhas

O Governo cabo-verdiano vai dialogar com as associações que trabalham com as tartarugas marinhas na ilha de São Vicente, para estudar de que forma pode apoiar na vigilância e proteção, disse hoje ministro da Agricultura e Ambiente.

Gilberto Silva deu a garantia após a associação ambientalista cabo-verdiana Biosfera I ter denunciado, na semana passada, que muitas tartarugas marinhas estão a ser apanhadas na ilha de São Vicente por falta de vigilância nas praias e lançou um apelo para apoiar no transporte de voluntários.

A associação avançou que serviço de transporte dos vigilantes deveria ser apoiado por várias instituições do Estado, como o Instituto Nacional de Desenvolvimento das Pescas (INDP), a delegação do Ministério do Ambiente e a Câmara Municipal de São Vicente, mas estas “negaram” prestar auxílio este ano.

Questionado hoje, na cidade da Praia, o ministro do Ambiente disse que não se deve dramatizar essa situação e lembrou o “bom trabalho” que as associações têm feito para preservação das tartarugas marinhas no país.

Sobre o caso em concreto, Gilberto Silva disse que o Governo vai dialogar com as associações e ver como poderá apoiar.

O alerta foi dado pela Biosfera I, mas é a Associação Ponta de Pon que possuiu licença para vigiar as praias de São Vicente, tendo recebido ajuda financeira da Direção Nacional do Ambiente para efetuar as ações, mas não possui uma viatura para transportar os seus vigilantes.

“As ONG não dependem na sua atividade do Estado, não são administradas pelo Estado, mas podemos negociar, não financiamos diretamente viaturas, mas financiamos várias atividades conjuntas, não é proibido financiar carros, temos é que planificar e ver onde podemos reforçar do ponto de vista logístico para os trabalhos”, adiantou.

O governante recordou a oferta do Fundo Global para o Ambiente de um conjunto de equipamentos a Cabo Verde, avaliados em 243 mil euros, para o país preservar a biodiversidade em oito áreas protegidas de quatro ilhas, mas disse não saber se abrangeu suficientemente São Vicente.

“Mas também não será por aí. Vamos dialogar em concreto com a Associação [Ponta de Pon]. Não sei concretamente os meandros daquilo que está a reclamar, mas os serviços técnicos certamente encontrarão um ponto de diálogo e ver como podemos apoiar”, apontou.

Gilberto Silva reconheceu ainda o “trabalho bom” das associações em prol da preservação das tartarugas marinhas e lembrou as melhorias do ponto de vista legal, com criminalização do consumo da carne, atuação das autoridades, ações que tornam a população mais sensível. “Mas precisamos fazer mais”, disse.

Cabo Verde introduziu legislação para proteger as tartarugas marinhas pela primeira vez em 1987, proibindo a sua captura em épocas de desova, mas a nova lei tipifica ainda outros tipos de crime, nomeadamente o abate intencional, bem como a aquisição, a comercialização, o transporte ou desembarque, a exportação e o consumo.

Em agosto, quatro homens foram detidos na ilha cabo-verdiana de Santo Antão por estarem na posse de quatro tartarugas marinhas mortas, tornando-se nos primeiros a serem apanhados a praticar este crime.

A população de tartarugas marinhas ‘Caretta caretta’ de Cabo Verde é a terceira maior do mundo, sendo apenas ultrapassada pelas populações na Florida (Estados Unidos) e em Omã (Golfo Pérsico).

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