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Genocídio do Ruanda: França não é bem vinda nas cerimónias do 20.º aniversário

ruanda francaruanda suspeitoHá 20 anos, 800 mil pessoas, na maioria tutsis, morreram em apenas 100 dias, no Ruanda. Aliada da maioria hutu, a França não foi convidada para as cerimónias do 20.º aniversário: o Ruanda exige que os gauleses “enfrentem a verdade” sobre o “papel direto” no genocídio.

A França não é bem vinda às cerimónias que assinalam o 20.º aniversário do genocídio do Ruanda.

Paul Kagamé, o Presidente ruandês, considera que os gauleses desempenharam um “papel direto na preparação do genocídio”, assim como de participarem “na sua execução”.

As afirmações do chefe de Estado levaram Christiane Taubira, a ministra da Justiça francesa, a cancelar a presença no evento.

Para este cancelamento também contribuiu o ‘afastamento’ de Michel Flesch, o embaixador francês no Ruanda.

“Ontem à noite, o Ministério Relações Exteriores [do Ruanda] telefonou para informar que não estava credenciado para as cerimónias”, afirmou o diplomata.

“Estes argumentos são inaceitáveis e infundados”, reforçou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da França, através do porta-voz Romain Nadal: “só podemos ter uma relação amigável e de confiança como o Ruanda se for baseada na verdade e na reconciliação”.

Louise Mushikiwabo, a ministra das Relações Exteriores ruandesa, instou a França a encarar “a difícil verdade” e a assumir a responsabilidade no genocídio que, há 20 anos, levou à morte de mais de 800 mil pessoas, na maioria tutsis, em apenas 100 dias.

“Para que nossos dois países comecem realmente a entender-se devemos enfrentar a verdade. A verdade é difícil. A verdade de ser próximo a qualquer pessoa que esteja associada ao genocídio é uma verdade muito difícil de aceitar”, argumentou a governante ruandesa.

A França tem reiterado que não teve qualquer influência no genocídio de 1984, apesar de, à data, ser aliada de um Governo da maioria étnica hutu.

A tragédia começou a 6 de abril de 1994, quando o avião em que seguia Juvenal Habyarimana, o Presidente do Ruanda, ter sido abatido próximo perto do aeroporto de Kigali.

Esse avião tinha sido oferecido a Habyarimana pelo então Presidente francês, François Mitterrand.

À data, Paul Kagamé liderava a oposição armada, da etnia tutsi, e chegou a ser acusado de ter sido o autor do atentado ao avião.

Com a morte do Presidente, a Frente Patriótica Ruandesa (RPF), de maioria hutu, iniciou uma perseguição às minorias, em especial aos tutsis e aos hutus moderados, assumindo o controlo do Ruanda.

O genocídio de 1994 foi considerado o sexto mais mortífero na história da Humanidade e, segundo alguns relatórios, houve mais de um milhão de mortos (embora os números oficiais apontem para os 800 mil) e mais de 200 mil violações.

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