Economia

Gaspar foi além da troika, Centeno foi além da Comissão Europeia

O Conselho de Finanças Públicas (CFP) estima que Portugal tenha conseguido reduzir o défice estrutural para um por cento, indo além do recomendado pela Comissão Europeia, e afirma que esse esforço revela uma alteração da política orçamental em 2017. Tal como o antigo ministro Vítor Gaspar, que foi além das metas da troika, também Centeno supera a fasquia das exigências europeias.

“Com base na informação disponível e na metodologia comunitária, corrigindo o défice orçamental dos efeitos do ciclo económico e das medidas temporárias e não recorrentes, estima-se que o défice estrutural corresponda a um por cento do PIB em 2017”, afirma o CFP no relatório ‘Análise da Conta das Administrações Públicas 2017’, divulgado nesta terça-feira.

Este resultado aponta para uma melhoria de um ponto percentual do PIB do saldo estrutural, “cumprindo a recomendação do Conselho da União Europeia”, que apontava para uma diminuição de 0,6 pontos percentuais.

Para a entidade liderada por Teodora Cardoso, “o esforço orçamental realizado revela uma alteração de postura da política orçamental em 2017”.

“Em 2017, no contexto de melhoria da conjuntura económica (variação positiva do hiato do produto em 1,2 pontos percentuais do PIB potencial), a variação positiva do saldo primário estrutural (0,6 pontos percentuais do PIB) reflete um ajustamento realizado no quadro de uma política orçamental que assumiu uma postura restritiva e contra cíclica”, afirma o CFP.

Para a entidade, “esta alteração de postura da política orçamental sugere a retoma do processo de consolidação estrutural das finanças públicas interrompido em 2014”.

No final de março, o ministro das Finanças assegurou que Portugal está “muito mais perto” de cumprir o Objetivo de Médio Prazo (OMP), de um excedente estrutural de 0,25 por cento do PIB, admitindo alcançá-lo em 2020.

Em conferência de imprensa, Mário Centeno disse que a estimativa do Governo é que o défice estrutural, que exclui os efeitos do ciclo económico e de medidas extraordinárias, tenha sido de 1 por cento em 2017.

A confirmar-se este valor, que é apurado pela Comissão Europeia, a redução face ao défice estrutural de 2016 foi de um ponto percentual, acima da meta de ajustamento de 0,6 pontos percentuais do Produto Interno Bruto (PIB) que a Comissão Europeia tinha imposto a Portugal por cada ano que o país não alcançar o OMP.

Assim, Centeno considerou que “Portugal fica muito mais perto de cumprir o OMP”, que é de ter um excedente estrutural de 0,25 por cento do PIB.

“A obtenção do OMP poderá ser conseguida já em 2020, mas mantendo a trajetória estável de redução e de consolidação de contas públicas que temos atingido nestes dois anos”, afirmou o ministro.

No relatório mais recente da Comissão Europeia sobre Portugal, sobre a última avaliação pós-programa, Bruxelas estimava que esse objetivo fosse cumprido em 2022.

Bruxelas já tinha alertado também para o risco de “desvio significativo” da regra de ajustamento estrutural de 0,6 por cento (para cumprir o OMP) em 2017 e 2018, já que estimava uma melhoria de apenas 0,1 por cento em 2017 e de 0,4 por cento em 2018 (contra 0,5 por cento estimados pelo Governo).

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