Economia

“Estou cada vez mais entusiasmado com o futuro da TAP”

O empresário David Neeleman, acionista privado da TAP, diz que está “cada vez mais entusiasmado com o futuro” da companhia aérea de bandeira, de acordo com um comunicado enviado à agência Lusa.

Esta declaração surge no dia em que o Jornal de Negócios noticia que a saída do empresário da TAP está preparada para o primeiro trimestre do próximo ano, estando a desenvolver contactos com a Lufthansa, British Airways, Air France e United para o substituir.

O periódico, sem citar fontes, garante que esta saída está relacionada com “o degradar das relações” entre Neeleman, o Estado e o seu parceiro no consórcio Atlantic Gateway, que tem 45 por cento da TAP, Humberto Pedrosa, bem como com os “resultados negativos”.

“Hoje, tal como em 2015, quando ninguém acreditava, estou cada vez mais entusiasmado com o futuro da TAP”, afirma o empresário no comunicado, sem fazer qualquer referência à informação hoje noticiada.

“É muito importante para Portugal que sejamos todos bem-sucedidos. A TAP precisa de foco e os seus trabalhadores de paz para continuar a implementar o que tem que ser feito, que é o melhor para TAP”, lê-se na mesma nota, na qual afirma que “especulações e outro tipo de manobras em nada ajudam a este extraordinário projeto tão relevante para Portugal”.

O empresário diz que, quando decidiu concorrer à privatização e estudou “o potencial da TAP”, criou um plano estratégico, convidou um sócio português e reuniu capital em conjunto com a Azul e seus acionistas para poder dar um futuro à TAP.

“Logo na primeira semana sob a nossa gestão, pagámos cerca de 100 milhões de euros de dívidas anteriores à nossa entrada e continuamos a fazê-lo. Hoje, a TAP tem 245 milhões de euros em caixa, mais de três vezes o que tinha na data da privatização”, garantiu o empresário.

O acionista da TAP adianta também que “a TAP tem acionistas privados totalmente comprometidos com o plano de crescimento que tem vindo a ser implementado”.

“Eu pessoalmente em conjunto com a Azul, empresa que eu controlo, acreditamos no futuro da TAP e detemos hoje direitos equivalentes a mais de 70 por cento dos direitos económicos da TAP”, refere.

No comunicado, o empresário dá conta da evolução da TAP desde a privatização, destacando o aumento de passageiros, da frota, de destinos, faturação e contratações, entre outros.

“Com todo este investimento no crescimento os resultados para os acionistas não têm sido tão rápidos como gostaríamos, mas estamos no caminho certo como demonstra aliás a curva dos resultados trimestre após trimestre. Uma nova frota muito mais eficiente e as novas rotas começam a produzir resultados, como demonstram as contas do terceiro trimestre de 2019, em que a TAP teve uma margem operacional acima dos seus pares europeus”, garantiu.

Ainda assim, a companhia aérea continua a registar prejuízos, que, até setembro, atingiram os 111 milhões de euros.

O Jornal de Negócios avança ainda que o Governo pretende usar esta possível mudança acionista para negociar alterações na gestão da TAP e nomear um administrador executivo, o que não acontece neste momento.

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