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“Esta era uma catástrofe anunciada”, diz Marta Soares

Numa análise ao incêndio que ainda lavra em Monchique, o presidente da Liga dos Bombeiros, Jaime Marta Soares, lamenta que não tenha retirado qualquer ensinamento do incêndio de 2003. “Esta era uma catástrofe já anunciada”, diz, em declarações à SIC Notícias.

Numa entrevista em que se abordava o plano de gestão florestal de Monchique, Jaime Marta Soares aponta o dedo ao Estado, que se “desresponsabilizou daquilo que deveria fazer”, numa política para a floresta.

E no caso particular de Monchique, houve no passado uma tragédia que deveria ter servido de lição.

“Monchique teve um incêndio em 2003 que devastou uma área maior do que a que está neste momento. E não se fez nenhuma aprendizagem não se retiraram ensinamentos “, acusa.

“Esta era uma catástrofe já anunciada”, lamenta ainda o presidente da Liga dos Bombeiros, que aponta o dedo a quem comanda as operações.

Jaime Marta Soares quer que paremos de “nos enganar a nós próprios”.

“Uma descarga de um avião com retardante resolve mais do que 15 descargas de água. Estamos a ter gastos absolutamente incríveis, descarregando água sobre incêndios que é pulverizada e não chega lá”.

“O grande problema não está no combate”, refere ainda, fazendo a defesa dos soldados da paz.

“Os incêndios, antes de serem grandes são pequenos. E tem de se fazer um ataque inicial musculado. E se já sabíamos que a situação, naquela região, era de tremendo risco”, salienta.

Se não se avançar nesse sentido, sustenta, o problema vai repetir-se.

“A serra do Monchique ardeu em 2003, arde agora e voltará a arder se não se fizer um plano de administração do território florestal, de maneira a que se façam um investimento e uma intervenção de fundo que possa ser exemplo para o país e para a Europa”, defende.

O incêndio em Monchique continua ativo há seis dias e provocou já 32 feridos e 181 deslocados.

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