América do Sul

Espanha e Brasil pedem investigação independente a morte de opositor na Venezuela

Espanha e Brasil pediram hoje uma investigação independente, clara e transparente sobre a morte do vereador da oposição venezuelano Fernando Albán, que segundo as autoridades da Venezuela se suicidou na segunda-feira.

Numa conferência de imprensa conjunta, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, Josep Borrell, e o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes, pediram uma investigação independente, clara e transparente sobre o caso e também fizeram ma análise sobre a situação na Venezuela e a necessidade de se encontrar uma solução para a crise política, económica e social naquele país.

“Não temos nada contra a atuação do Ministério Público venezuelano, mas cremos que este caso em particular necessita de uma investigação de caráter independente”, declarou Borrell, após recordar que Espanha chamou para consultas o embaixador venezuelano para que explicasse as circunstâncias da morte de Albán.

O ministro espanhol disse que está à espera das informações que o embaixador possa apresentar, já que a “Venezuela tem que dar explicações ao mundo, porque normalmente as pessoas não se atiram pelas janelas”.

O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, reforçou na terça-feira a informação das autoridades venezuelanas de que Fernando Albán cometeu suicídio, isto depois de a oposição acusar o regime de o ter assassinado.

De acordo com Saab, que falou à televisão estatal VTV, “o cidadão pediu para ir à casa de banho e, uma vez lá, atirou-se do décimo andar” da sede dos serviços de informação venezuelanos. O procurador-geral anunciou que haverá uma “investigação completa”.

O ministro espanhol Josep Borrell disse que este tipo de casos – mortes violentas em dependências policiais – são muito especiais “para a sensibilidade política espanhola porque nos trazem recordações de outros tempos, como nos últimos tempos do franquismo”, quando pessoas estavam sendo interrogadas e “caiam pelas janelas”.

O ministro declarou que não pretendia “estabelecer nenhuma comparação”, mas somente explicar a sensibilidade espanhola.

Perguntado por que nem a Espanha e nem o Brasil aderiram à queixa apresentada ao Tribunal Penal Internacional, os dois ministros concordaram que já existe uma investigação que seria prejudicada, que a base legal sobre a qual a queixa foi estabelecida é “pouco clara e que o processo “dificultaria” o diálogo político na Venezuela.

Assi, Borrell explicou que o secretário de Estado da Cooperação e para América Latina, Juan Pablo Laiglesia, encontra-se na Venezuela está agora a estabelecer “contactos” com a oposição venezuelana.

Por sua parte, Aloysio Nunes explicou que o Brasil defende uma “solução pacífica para os problemas venezuelanos entre os venezuelanos”, então não é a favor da intervenção estrangeira.

Nunes considerou ainda que se o candidato de direita Jair Bolsonaro vencer as eleições presidenciais no Brasil – a segunda volta é a 28 de outubro –, “manterá uma postura mais dura com a Venezuela”.

O Brasil, que tem mais de 2.200 quilómetros de fronteira com a Venezuela, recebeu nos últimos três anos cerca de 150 mil venezuelanos em busca de asilo, uma imigração que foi rapidamente assimilada, de acordo com o ministro brasileiro.

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