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Entrevista de Judite de Sousa à revista Sábado: “Todos os dias beijo as fotografias do André”

judite sousa 3 Em entrevista à Sábado, Judite de Sousa abriu o coração para falar do filho, André Bessa, e do regresso ao trabalho. André era a âncora da jornalista da TVI. O trabalho passou a cumprir esse papel. “Sou a mãe de ninguém”, diz Judite. “Bati no fundo. O que me resta? O trabalho”.

Numa entrevista à revista Sábado, Judite de Sousa falou do regresso ao trabalho, após a perda do filho, tragédia que vai acompanhar a jornalista até ao fim da sua vida.

“Eu tinha o meu filho. O meu maior projeto. Era a mãe do André e agora sou a mãe de ninguém”, lamenta Judite, entre lágrimas. E é na dor que encontrará força para viver, sem desistir.

“Sei que vou chorar a vida toda. Alguém definiu a saudade como ‘o amor que fica e ficará para sempre’. E é isso que quero sentir, quero viver morta de saudades do meu filho”, afirmou à Sábado.

Judite de Sousa mostra alguma revolta, mas o sentimento que se destaca nesta entrevista é o amor. Mais do que a saudade: “Bati no fundo e não há nada que me possa abalar tanto. Todos os dias penso no André, beijo as fotografias dele. O meu filho não podia morrer. Dava a minha vida por ele”.

O trabalho, mais do que um escape, é a sua âncora, a âncora que André fora, em vida. “Ainda não desisti de viver”, confessa Judite de Sousa, apesar do período difícil por que atravesa.

“Não tenho mais filhos, não tenho marido, não tenho nenhum companheiro. Era eu e o meu filho. E tendo desaparecido o meu filho, o que é que me resta? O trabalho. Não trabalhar significaria desistir da vida”, diz ainda.

A palavra “suicídio” é pronunciada, mas Judite de Sousa está bem agarrada à vida, a vida que dava pelo seu filho. Questiona-se “quais são as alternativas?”. Tenta encontrar a resposta: “O suicídio?”, “as depressões profundas que nos põem numa cama?”.

Mas o caminho está traçado e a jornalista quer fazer da profissão a sua força. “Temos de nos agarrar àquilo que temos. O justifica a minha existência, neste momento, é o meu trabalho”, afirmou.

Durante a conversa com a jornalista Dulce Garcia, que durou cerca de três horas, Judite “chorou (muito), sorriu (pouco) e não se esquivou a uma única pergunta”.

A Sábado fez capa com este trabalho, com uma fotografia de Judite, de luto, a suster as lágrimas. É uma imagem que permite perceber a extensão da dor desta mãe.

Nos últimos tempos, Judite de Sousa tem recebido centenas de cartas, enviadas por pais que também perderam os filhos.

Aquele material será compilado num livro que a jornalista vai publicar, ilustrado com fotografias de André Bessa.

Todas as receitas angariadas com a venda do mais importante livro da vida de Judite de Sousa serão entregues a associações que apoiam pais que perderam filhos.

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