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Empresa de fardas põe mãos à obra para “dar proteção aos madeirenses”

É numa empresa especializada na confeção de fardas para escolas, comércio, indústria e forças de segurança, no Funchal, que estão a ser fabricadas as 250 mil máscaras que o Governo da Madeira vai distribuir na região.

O executivo, de coligação PSD/CDS-PP, encomendou as máscaras reutilizáveis à Igual e Completo, do Grupo Fardias, para distribuir por toda a população via CTT, a partir desta semana.

À agência Lusa, José Dias, sócio-gerente do grupo, conta que foi chamado à Presidência do Governo Regional e questionado se a empresa estava apta a fabricar máscaras para a população.

A sua primeira reação foi um “ai, meu Deus”, mas aceitou o desafio.

“Disse que sim, temos costureiras e material em stock suficientes. Fizemos um exemplar para amostra, consideraram que estava dentro dos parâmetros que pretendiam e segundo as regras da Direção-Geral da Saúde, encomendaram-nos 250 mil máscaras”, explica.

“Metemos mãos à obra e temos vindo a entregar ao governo parcelas da encomenda à medida que ficam prontas”, refere, realçando que a Presidência do Governo Regional pediu “celeridade” na concretização.

A intenção comunicada pelo executivo ao fabricante foi “salvaguardar e dar proteção aos madeirenses”.

José Dias explica que a máscara “não é só tecido – tem de ter uma banda de alumínio para moldar a narina, tem de ter elásticos apropriados, tem de ter algodão, poliéster, redobras e gramagem [peso em gramas por metro quadrado] numa determinada proporção para evitar a transmissão de gotículas e, depois, segue-se a confeção, mas para esta parte é preciso ter mãozinhas para trabalhar”.

O sócio-gerente sublinha que, apesar de agora se dizer que toda a gente vai fazer máscaras em casa, “não é bem assim”, porque “isto tem o seu quê”.

Confessa que nunca pensou fabricar na sua empresa máscaras não cirúrgicas para proteção pessoal, por estar vocacionada para outros produtos.

“Quem é que confecionava máscaras aqui, na Madeira? Ninguém”, afirma, reconhecendo que teve de aproveitar a oportunidade porque “estava praticamente tudo fechado”.

“Estávamos à rasca com trabalho e isto entrou-me pela casa adentro. Pus as mãos para o céu e toda a gente pôs as mãos para o céu. Aceitei logo, de braços abertos”, conta.

A empresa, com três espaços distribuídos pela cidade do Funchal, foi criada há 23 anos e emprega atualmente 50 trabalhadoras.

“Tive de ir buscar mais 16 costureiras para dar resposta”, reconhece.

As máscaras requeridas pelo Governo “são em branco”, mas a empresa vai ter produtos também a cores e personalizados “com bordado e estampagem, se o cliente quiser”.

José Dias diz que já foi sondado por empresas do continente, mas teve de declinar encomendas: “Agora, a prioridade é a Madeira”.

Desde o aparecimento da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China, e a sua declaração como pandemia pela Organização Mundial de Saúde, o Governo Regional tem vindo a tomar medidas para conter a sua propagação na região.

Entre estas, contam-se o preenchimento de um inquérito sanitário, a medição de temperatura e o encaminhamento para um período de quarentena de todos os passageiros e tripulantes desembarcados no aeroporto da Madeira; a limitação das operações aeroportuárias aos casos imprescindíveis ou o confinamento generalizado.

“O governo e as autoridades regionais da saúde, com base em estudos científicos e exemplos de outros países, recomendam vivamente o uso de máscaras de proteção para a população em geral, adicionando esta medida às outras preventivas em vigor”, explicou, na segunda-feira, o presidente do Governo Regional.

Miguel Albuquerque adiantou que até ao final da semana “serão distribuídas pelos CTT nos respetivos domicílios duas máscaras para uso individual, laváveis e reutilizáveis, como forma de sensibilizar as famílias e as empresas para a necessidade de as usar como uso regular nas suas atividades diárias”.

No próximo sábado, a região irá decidir se haverá uma retoma de atividades económicas. O uso generalizado de máscaras pela população não é obrigatório, segundo o executivo, que insiste, porém, no apelo para a sua utilização.

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