África

Eleições/RDCongo: União Africana pede suspensão de anúncio de resultados eleitoriais definitivos

A União Africana pediu hoje a “suspensão da proclamação” dos resultados eleitorais definitivos na República Democrática do Congo (RDCongo) e acordou o envio de uma delegação de “alto nível” a Kinshasa.

Reunidos em Addis Abeba, capital da Etiópia, chefes de Estado e de governo africanos consideraram “existirem sérias dúvidas sobre a conformidade dos resultados provisórios, tais como foram proclamados pela Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI)”.

Os dados divulgados há uma semana e relativos às eleições de 30 de dezembro apontam para a vitória nas presidenciais do opositor Félix Tshisekedi, com 38,57 por cento dos votos, à frente do candidato do principal partido da oposição, Martin Fayulu, com 34,8 por cento.

Os resultados foram contestados por Fayulu, que, segundo dados recolhidos pelos cerca de 40.000 observadores da Conferência Nacional Episcopal do Congo (CENCO), foi o candidato mais votado, com 61 por cento dos votos.

Fayulu, da União para a Democracia e o Progresso Social (UDPS), apresentou uma queixa por fraude no Tribunal Constitucional, que deve proclamar os resultados definitivos até 22 de janeiro, data da tomada de posse do novo presidente do país.

“Em consequência, os chefes de Estado e de governo pedem a suspensão da proclamação dos resultados definitivos das eleições”, indica um comunicado divulgado na conta da União Africana na rede social Twitter.

O documento adianta ter sido acordado “enviar com urgência à RDCongo uma delegação de alto nível, incluindo o presidente da União Africana (atualmente o chefe de Estado ruandês, Paul Kagame), assim como outros chefes de Estado e de governo e o presidente da Comissão da União Africana”.

O objetivo da delegação é “encontrar um consenso sobre uma saída para a crise pós-eleitoral”, temendo alguns que a disputa eleitoral conduza à violência no país.

Os resultados das eleições legislativas, realizadas no mesmo dia das presidenciais, deram uma larga maioria às forças favoráveis ao presidente cessante, Joseph Kabila (pelo menos 350 deputados em 500).

Caso se confirmem os resultados provisórios, Tshisekedi, 55 anos, será o sucessor de Kabila, que preside aos destinos do país desde 2001.

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