África

Diplomacia francesa diz que foi alcançado “compromisso à africana” na RDCongo

O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Yves Le Drian, disse hoje que nas eleições na República Democrática do Congo (RDC) foi alcançado “um compromisso à africana”, depois de anteriormente ter manifestado dúvidas sobre a vitória de Felix Tshisekedi.

O ministro reagia desta forma, quando confrontado, hoje, pela rádio France Internacional sobre uma eventual contradição entre a firmeza da França face à contestada eleição de Nicolás Maduro na Venezuela e o reconhecimento por Paris da eleição, também contestada, de Félix Tshisekedi como presidente da RDC.

“A eleição foi concluída por uma espécie de compromisso à africana. Não vejo porquê colocar isso em causa agora. Tshisekedi tornou-se Presidente num contexto muito particular e próprio da RDC”, disse o chefe da diplomacia francesa.

Jean-Yves Le Drian tinha afirmado a 20 de janeiro, depois de divulgados os resultados provisórios das Presidenciais na RDC, que o anúncio da vitória de Tshisekedi, um dos candidatos da oposição, não “estava em linha” com as expectativas.

O outro candidato da oposição Martin Fayulu considerou os resultados das eleições presidenciais de 30 de dezembro de 2018 um “golpe eleitoral” do Presidente, Joseph Kabila, com a cumplicidade de Tshisekedi.

“Sobre as eleições na RDC apenas fiz notar que os resultados pareciam não corresponder a todas as informações que poderíamos ter à saída das urnas. Não fui o único, porque a União Africana fez a mesma declaração, questionando-se sobre a necessidade de recontar os boletins”, sublinhou Le Drian.

O ministro francês recusou comparações com a Venezuela, considerando que se trata de uma situação “totalmente diferente”.

Neste país, disse, “trata-se de uma crise maior com riscos de violência, de confrontos potenciais, e existe uma opressão que causou mortos”, insistiu.

“E aqui, pedimos que haja uma verificação democrática e um escrutínio que permita identificar quem possa ser Presidente da Venezuela e que esse escrutínio seja confirmado na sua legitimidade, por observadores internacionais”, disse.

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