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Diabetes: “Preocupação” da União Europeia é agravada, ao dobro, em Portugal

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Os cidadãos europeus deviam prestar mais atenção a uma “preocupação” atual: a diabetes. Em entrevista à Lusa, o comissário europeu da Saúde, Vytenis Andriukaitis, sustentou que o caso de Portugal está entre os piores, pois a mortalidade é o dobro da média da União Europeia.

Ao preparar a intervenção no Dia Mundial da Saúde, ontem evocado, Vytenis Andriukaitis explicou por que considera a diabetes “uma preocupação” a nível europeu.

“Com 24 por cento dos adultos a sofrerem de obesidade e 59 por cento em situação de excesso de peso, não é de admirar que Portugal tenha uma das taxas mais elevadas de diabetes da União Europeia (UE) e que a mortalidade provocada pela diabetes seja quase o dobro da média da EU”, sustentou o comissário.

“Estes números”, reforçou, “constituem motivo de grande preocupação, uma vez que têm um impacto negativo não só no bem-estar físico e na qualidade de vida dos doentes, como colocam também uma forte pressão sobre o sistema de saúde de Portugal”.

E é “uma preocupação” que não se devia justificar, pois “em muitos casos, a doença pode ser evitada”.

“A experiência demonstrou que simples alterações do estilo de vida podem ser eficazes para prevenir ou atrasar o início da diabetes de tipo 2. A manutenção de um peso normal, exercício físico regular e um regime alimentar saudável são exemplos dessas alterações”, lembrou Vytenis Andriukaitis.

“Concentrando-se agora na prevenção, Portugal pode reduzir no futuro as taxas de doenças crónicas e os custos associados para o sistema de saúde”, complementou o comissário europeu.

Flagelo europeu

Na Europa, “os hábitos alimentares têm vindo a deteriorar-se claramente, como o demonstra o facto de, em 2008, uma em cada quatro crianças entre os seis e os nove anos sofrer de excesso de peso ou ser obesa e, em 2010, este número ter subido para uma em cada três crianças”, sustentou o responsável.

Vytenis Andriukaitis salientou que, “apesar de nada permitir relacionar o aumento das taxas de obesidade e da diabetes com a crise económica, é preocupante verificar que os alimentos com elevado teor de açúcar e de gorduras trans são frequentemente a opção mais barata”.

No Reino Unido, as autoridades criaram o “imposto sobre o açúcar”, uma medida que o comissário europeu não se importava de ver replicada noutros países.

“A tributação é, naturalmente, da competência nacional”, reconheceu: “Enquanto comissário responsável pela Saúde, estou logicamente a favor de qualquer medida que conduza a estilos de vida mais saudáveis e reduza o fardo das doenças crónicas, tais como a diabetes de tipo 2”.

“A luta contra os fatores de risco associados à diabetes exige uma abordagem multifacetada”, frisou ainda este especialista: “Precisamos de educação sobre a forma de nos mantermos, e às nossas famílias, saudáveis e de prevenir a doença. Na realidade, os alimentos saudáveis cozinhados de forma caseira são muitas vezes mais baratos do que alimentos embalados. Precisamos igualmente de informações claras sobre os ingredientes e o valor nutritivo dos alimentos que consumimos. Por último, é necessário transformar a escolha saudável na opção fácil”.

“A taxa crescente da diabetes exige claramente mais esforços de prevenção”, insistiu o comissário europeu, que pretende uma “mudança radical que permita passar do tratamento de doenças para a promoção de uma boa saúde”.

“Uma em cada cinco crianças em idade escolar é obesa ou tem já excesso de peso e este número está a aumentar. A menos que comecemos a incutir na nova geração, desde o início, hábitos alimentares saudáveis e exercício físico, iremos criar uma geração de crianças que são ‘gordas para toda a vida’ e sistemas de saúde que lutam para controlar a situação”, concluiu.

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