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Deputado português em Macau fala em centenas de despedimentos após surto

O único deputado português no parlamento de Macau denunciou hoje centenas de despedimentos sem indemnização, comunicados logo após o início do surto do coronavírus Covid-19, classificando a situação de “crise social”.

José Pereira Coutinho falava aquando da entrega de uma petição ao chefe do Governo de Macau por um grupo que representa cerca de 400 motoristas de autocarros, que o deputado acompanhou, e na qual se solicita ajuda financeira face à crise se agravou com o impacto económico do surto do coronavírus Covid-19.

“O segundo grande problema que tenho é com os despedimentos. Tenho na minha carteira cerca de uma centena de residentes (…) que foram despedidos logo imediatamente ao aparecimento do coronavírus”, afirmou aquele que é também presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM).

Pereira Coutinho assinalou que “as empresas não aguentam” o impacto financeiro” e, por isso, sem “capacidade financeira para sustentar os trabalhadores que têm de estar em casa, (…) aproveitam também para despedir sem salários”.

Por outro lado, salientou, recebeu igualmente “muitas queixas” de trabalhadores não residentes “que foram liminarmente despachados sem direito a qualquer pagamento”, pessoas que “têm um prazo de dez dias para sair de Macau”.

“É uma crise social”, resumiu o presidente da ATFPM, que assegurou terem-lhe sido ainda enviadas reclamações de trabalhadores da função pública.

Em causa, segundo Pereira Coutinho, estão queixas de enfermeiras que se encontram nos serviços de urgência: “elas não fazem quarentena, trabalham no hospital, estão a lidar diretamente com suspeitos do coronavírus e vão para casa sujeitas a infetar as suas famílias”.

As queixas também terão a ver com equipamentos de proteção e com falta de comunicação por parte de dirigentes dos serviços de saúde “que querem cumprir ordens sem ouvir o pessoal da frente”, apontou.

Há quase duas semanas, os casinos de Macau fecharam as portas que o Governo de prepara para reabrir a partir de quarta-feira, uma medida que foi complementada com o encerramento de serviços públicos e de negócios locais que praticamente paralisaram a economia, muito dependente, de resto, do mercado turístico chinês.

O Covid-19 já matou 1.770 pessoas na China continental e infetou 70.548. Em Macau foram identificados cinco casos de infeção, mas cinco pacientes já receberam entretanto alta hospitalar.

Além de 1.770 mortos na China continental, há a registar um morto na região chinesa de Hong Kong, um nas Filipinas, um no Japão e um em França.

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