Economia

Crédito malparado nos bancos ficou abaixo de 10 por cento em 2018

Os bancos reduziram o crédito malparado acumulado em 50 por cento entre junho de 2016 e dezembro de 2018, tendo o rácio de malparado descido para 9,4 por cento no final do ano passado, segundo dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal.

Segundo a publicação ‘Desenvolvimentos Recentes do Sistema Bancário’, em dezembro passado o valor bruto do crédito malparado era de 25.850 milhões de euros, menos 5.321 milhões de euros do que em setembro (31.171 milhões de euros).

Esse valor corresponde a um rácio de malparado (crédito malparado face ao crédito total) de 9,4 por cento em dezembro, abaixo dos 11,3 por cento de setembro de 2018, o que o banco central atribui a “uma redução acentuada do ‘stock’ de empréstimos ‘non-performing’ [em incumprimento] das SNF [sociedades não financeiras] em 3,8 mil milhões de euros e dos particulares em 1,3 mil milhões de euros”.

O rácio de malparado nos bancos que operam em Portugal tem vindo a baixar nos últimos anos, face ao máximo de 17,9 por cento atingido em junho de 2016 (17,5 por cento em 2015, 17,2 por cento em 2016 e 13,3 por cento em 2017).

O Banco de Portugal destaca, na publicação de hoje, a redução de quase 50 por cento do malparado dos bancos face ao máximo histórico atingido precisamente em junho de 2016.

Segundo o banco central, isso “corresponde a uma diminuição de 24,6 mil milhões de euros”, dos quais 16,1 mil milhões de euros nas empresas e 5,9 mil milhões de euros nos particulares.

Já o rácio de crédito malparado líquido de imparidades ficou nos 4,5 por cento. Em setembro tinha sido de 5,3 por cento.

Por fim, em sentido contrário, o rácio de cobertura do malparado por imparidades diminuiu para 51,9 por cento em dezembro, abaixo dos 53,4 por cento em setembro, o que, diz o Banco de Portugal, foi influenciado pela diminuição do rácio de cobertura do malparado das empresas.

Os maiores bancos portugueses fizeram importantes vendas de carteiras de crédito malparado no final de 2018, com a intenção de melhorar o seu balanço, mas também de cumprir exigências dos reguladores e supervisores bancários, que consideram que estes ativos ‘tóxicos’ são a principal fragilidade do sistema bancário português.

O Novo Banco anunciou a venda no final do ano de 102 mil contratos no valor de 2.150 milhões de euros a fundos de investimento.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) alienou 1.200 milhões de euros em crédito malparado e o Santander Totta vendeu 1.000 milhões de euros.

Já o BCP vendeu uma carteira de crédito de 730 milhões de euros e o BPI alienou 400 milhões de euros.

A agência de ‘rating’ Moody’s disse em janeiro que a limpeza dos balanços dos bancos se manterá em 2019, ainda que menos intensa.

Os bancos portugueses estão longe da média do crédito malparado na zona euro, que era em meados de 2018 de cerca de 5 por cento do total.

Ainda na publicação hoje divulgada, o Banco de Portugal indica que a venda de carteiras de créditos teve impactos em 2018 nos resultados dos bancos, devido às perdas com as vendas de créditos.

Segundo o banco central, em 2018 “o produto bancário contribuiu negativamente para a evolução do ROA [rendibilidade do ativo]” devido à redução de resultados de operações financeiras, influenciado também por “perdas com vendas de créditos”.

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