Ciência

Consumo diário elevado de analgésicos aumenta o risco de ataque cardíaco

Há um novo estudo, publicado no ‘British Medical Journal’, que sugere a existência de uma ligação entre o consumo de altas doses de analgésicos anti-inflamatórios, como o ibuprofeno, e ataques cardíacos.

Baseada num estudo anterior, esta pesquisa sugere que o risco de doenças do coração é superior nos primeiros 30 dias de uso, segundo conta a BBC.

A equipa internacional de cientistas analisou os dados de mais de 446 mil pessoas para compreender a ocorrência de problemas cardíacos. Para tal, a equipa debruçou-se sobre as pessoas que consumiram inflamatórios não esteróides, como o ibuprofeno, aspirina, diclofenaco, celecoxibe e naproxeno, que são adquiridos com receita médica.

Ao analisarem estes dados, os cientistas depararam-se com os riscos cardíacos associados a estes medicamentos logo na primeira semana de consumo. Ao longo do primeiro mês esse risco aumenta ainda mais quando as pessoas tomam cerca de 1200 miligramas de ibuprofeno por dia.

No entanto, os cientistas confessam que poderá haver outros factores que tornam difícil concluir com exatidão se realmente existe esta ligação entre analgésicos e ataques cardíacos.

“Vai ser difícil dizer se um ataque cardíaco foi causado pelo analgésico ou pelo que quer que tenha levado à prescrição do medicamento. Pode até ser uma outra coisa completamente diferente”, como o tabaco ou a obesidade, afirmou Kevin McConway, professor de estatística do ‘Open University’, no Reino Unido.

Já Mike Knapton, da ‘British Heart Foundation’, adverte para que os médicos e pacientes analisem os riscos e benefícios do consumo elevado destes analgésicos tradicionais, principalmente em quem já teve um ataque cardíaco ou está propenso a sofrer um.

Por sua vez, Helen Stokes-Lampard, médica e professora, defende que a decisão de prescrever este tipo de medicamento precisa de ser revista periodicamente. A médica reforça que este estudo deveria chamar a atenção dos pacientes que se auto-medicam com anti-inflamatórios não esteróides para livrarem-se das dores.

Por fim, são vários os investigadores que afirmam que este estudo não especifica ao certo qual o risco total ou básico do consumo destes analgésicos, pelo que é difícil de avaliar o impacto no aumento das hipóteses de ter um ataque cardíaco.

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