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Concertação Social debate Turismo numa altura em que setor arrefece

Os parceiros sociais reúnem-se hoje na Concertação Social para debater o Turismo, numa altura em que o setor regista alguns sinais de desaceleração.

Os últimos dados do INE, referentes a novembro de 2018, mostram que o ano foi de redução, ainda que se registe uma recuperação naquele mês. Assim, nos primeiros 11 meses do ano, o total de dormidas reduziu-se em 0,2 por cento, para 54,7 milhões, com destaque para a Madeira, que viu este indicador cair 3,8 por cento para 6,8 milhões, para o Centro, que reduziu as dormidas em 3,3 por cento (5,2 milhões) e para o Algarve (menos 1,3 por cento, para 18,2 milhões de dormidas).

De acordo com o instituto, no mês de novembro, em termos de dormidas de não residentes, os maiores decréscimos ocorreram nas Regiões Autónomas dos Açores (-7,7 por cento) e Madeira (-4,8 por cento). Desde o início do ano, houve aumentos de dormidas de não residentes no Alentejo (+7,5 por cento) e Norte (+6,1 por cento) e, em sentido contrário, registaram-se decréscimos no Centro (-11,9 por cento) e Algarve (-4,3 por cento).

Paralelamente, a taxa de ocupação da hotelaria portuguesa recuou 1,22 pontos percentuais em novembro último face ao período homólogo, para 59 por cento, mas o preço médio por quarto ocupado e disponível aumentou 7 por cento e 5 por cento, respetivamente, segundo a associação setorial, uma tendência que se tem verificado ao longo dos últimos meses.

De acordo com o indicador mensal ‘Tourismo Monitors’ da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), em novembro, Lisboa (77 por cento), Madeira (75 por cento) e o Grande Porto (69 por cento) foram os destinos turísticos com a taxa de ocupação mais elevada.

Nos indicadores preço médio por quarto ocupado (ARR) e preço médio por quarto disponível (RevPar), registou-se uma subida de 7 por cento e 5 por cento, respetivamente, face ao período homólogo, para 79 e 46 euros, pela mesma ordem.

O Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia) é um dos fatores que mais pode afetar o setor em Portugal.

De acordo com um estudo da CIP – Confederação Empresarial de Portugal, “em 2016, passaram por Portugal cerca de dois milhões de hóspedes britânicos que despenderam mais de 9,5 milhões de noites. De facto, a larga maioria dos turistas europeus que chegaram a Portugal em 2016 eram ingleses, representando 21 por cento dos hóspedes e 28 por cento das dormidas em estabelecimentos hoteleiros, tendo crescido a um ritmo médio anual desde 2010 de cerca de 10 por cento ao ano em ambos os casos”.

Em declarações à agência Lusa durante o Congresso Nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), em novembro, o presidente desta entidade, Pedro Costa Ferreira, referiu a concorrência de destinos que estão novamente em crescimento: “Penso na Tunísia, penso no Egito, penso, sobretudo, na Turquia e verificaremos que importantes concorrentes nossos estão agora a crescer de forma fulgurante e, claramente, que não vão representar vento pelas costas, vamos dizer desta maneira”.

Os problemas de tráfego no aeroporto de Lisboa estão também entre as preocupações do setor. O administrador da ANA – Aeroportos de Portugal Francisco Pita admitiu que o aeroporto de Lisboa “perde 1,8 milhões de passageiros por ano”, dada a atual lotação daquela infraestrutura aeroportuária.

O presidente da Confederação do Turismo Português (CTP), Francisco Calheiros saudou que a reunião de hoje de Concertação Social seja exclusivamente dedicada ao Turismo, com a presença do ministro da Economia, Pedro Siza Vieira.

No encontro serão abordados os “desafios e oportunidades” do setor e “claramente entre os desafios mais prementes neste momento está a questão do aeroporto” Montijo+Portela e a questão do Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia, depois de um referendo).

Por sua vez, a CGTP não tem nenhuma expectativa em relação a este tema, mas acredita que venha a debate a evolução do turismo, as consequências do Brexit para o setor (redução de turistas ingleses) e o novo aeroporto.

“Certamente que o que vai estar em discussão será uma visão macro-estratégica do turismo, mas nós vamos aproveitar para identificar os problemas laborais do setor e defender a necessidade de valorização dos seus trabalhadores, dado que muitos ganham o salários mínimo. Não podemos analisar o setor pela lógica dos grandes hotéis, temos de pensar também na restauração e nas agências de viagens”, referiu Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP.

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