Ciência

Ciência descobre como é que a hera venenosa nos faz sofrer tanto

Não sendo muito comum em Portugal, a hera venenosa é uma das plantas mais temidas em todo o mundo. Após mais de 35 anos de investigação, a ciência sabe finalmente o porquê.

É verdade que esta trepadeira ainda é rara em Portugal, mas quem faz campismo ou passeios de bicicleta pela natureza com regularidade conhece as histórias da terrível urticária que a hera venenosa provoca… ou não se chamasse ela ‘venenosa’.

Só que os cientistas andam há décadas a tentar perceber como é que esta planta nos faz sofrer tanto quando nós, humanos, temos na pele a mesma molécula: a CD1a.

“Há 35 anos que sabemos que a pele tem CD1a em abundância, mas temos tido muita dificuldade em perceber qual o papel que desempenha nos problemas inflamatórios da pele”, salientou Jerome Le Nours, investigador da Universidade Monash, na Austrália.

Graças aos mais recentes avanços da genética, a equipa liderada por Jerome Le Nours conseguiu finalmente identificar o grande segredo da hera venenosa.

Quase todos os estudos bloqueavam nos ensaios em ratos de laboratório porque estes não possuem a CD1a. Só mais recente, com as modificações genéticas, é que os investigadores começaram a analisar o comportamento da molécula.

Quando em contacto com o urushiol, a substância ativa da hera venenosa, a CD1a, como proteína importante do sistema imunitário, faz disparar uma reação alérgica, que se torna então no pesadelo de campistas, caminhantes e crianças excessivamente curiosas.

Quando umas células da pele (as Langerhans) sentem o óleo urushiol, a CD1a ‘obriga’ o sistema imunitário a produzir as proteínas interleukin 17 e interleukin 22, que combatem o ‘invasor’ provocando inflamação e comichão.

Esta descoberta é mais importante do que se pensa, como alertou um outro investigador da mesma universidade, Tang Yongqing: “Os próximos estudos já podem servir para desenvolver novos tratamentos de combate a pequenas irritações e, posteriormente, para doenças crónicas da pele como psoríase, eczemas e rosáceas”.

Quanto à ‘tortura’ da hera venenosa, pode ser amenizada com uma boa lavagem da zona afetada, como este vídeo explica.

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