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CGTP: Proposta de Orçamento é “declaração de guerra” aos trabalhadores

carvalho_silva1CGTP diz que Orçamento do Estado para 2012 (OE2012) é uma “declaração de guerra” do Governo aos trabalhadores, vítimas de um “programa de agressão”, que levará ao “empobrecimento” do país e das pessoas.

“O Orçamento de Estado aposta na penalização daqueles que fizeram sempre sacrifícios: trabalhadores, pensionistas, desempregados e jovens”, referiu Arménio Carlos, membro da comissão executiva da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), em declarações à agência Lusa.

O OE2012 é o orçamento mais duro de que há memória em Portugal. O Governo prepara-se para cortar cerca de 7500 milhões de euros na despesa, para conseguir atingir as metas definidas para o défice e poder cumprir os compromissos assumidos com a troika.

A recessão é maior do que o previsto e um desvio orçamental superior ao esperado provocam no orçamento mais duro de que há memória em Portugal. A economia deverá cair quase três por cento no próximo ano. O buraco de 2011 é, afinal, 3400 milhões de euros.

A “redução do défice será feita através da redução da despesa, que cai dois terços”, assegura o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, que corta nos salários e nos subsídios. Do lado da receita, o aumento 2900 milhões, quase na totalidade à custa do aumento de impostos.

Ontem, CGTP e UGT anunciaram a realização de uma greve geral, depois de as duas centrais sindicais terem reunido. Carvalho da Silva e João Proença realizaram uma conferência de Imprensa conjunta, onde anunciaram a jornada de luta.

Segundo Carvalho da Silva, líder da CGTP, perante “medidas injustas e violentas”, não resta alternativa aos sindicatos que não seja chamar os trabalhadores para uma paralisação nacional.

“Estamos perante um plano de austeridade que compromete o desenvolvimento do país, agrava crise, provoca desemprego e viola direitos fundamentais, de direitos da contratação coletiva e dos direitos previstos na Constituição”, resume Carvalho da Silva.

O sindicalista salienta que “em menos de dois anos, os trabalhadores da Administração Pública sofreram um corte de 25 por cento da sua remuneração”. Por outro lado, argumenta, “há medidas que “empobrecem pensionistas e trabalhadores”, e que vão conduzir a um “aumento de desemprego”.

“Os impactos de agravamento de horário de salário só geram mais problemas de desemprego. E a falta de resposta leva a que deixemos um apelo fortíssimo aos trabalhadores: é preciso indignarmo-nos. Nessa unidade da ação, vamos trabalhar e que leva ao compromisso de avançarmos com uma greve geral”, referiu Carvalho da Silva.

Por seu turno, o líder da União Geral de Trabalhadores, João Proença, revelou que na reunião entre as centrais sindicais verificou-se “um grande grau de convergência” em termos de preocupações. “Todos os dias são exigidos sacrifícios aos mesmos: trabalhadores e pensionistas”, destaca.

Estes sacrifícios “estão a agravar as desigualdades” em Portugal. E “é inaceitável que o Orçamento de Estado preveja medidas que apontam para um agravamento da pobreza. “Vai haver um brutal aumento do desemprego. O Governo foi eleito para cumprir um programa e não está a fazê-lo. Foi eleito para retirar o país da crise, mas toma medidas que não vão retirar o país desse cenário”, refere.

“É preciso que se diminua a conflitualidade em Portugal”, sublinha João Proença, que culpa o Governo de Passos Coelho. A greve geral não tem data definida, mas deve ser conhecida já amanhã.

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