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Celebrou-se a votação, mas o Brasil tem poucos motivos para festejar

A Câmara dos Deputados do Brasil aprovou, na madrugada deste domingo, o afastamento da Presidente Dilma Rousseff. O mínimo de dois terços dos deputados foi superado: 367 votaram a favor, apenas 137 votaram contra. E agora? O pedido de impeachment segue agora para o senado e o Brasil está longe de começar a sarar as feridas de um processo agressivo, de um país dividido e longe de retomar o caminho.

O pedido de impeachment foi aprovado pelos deputados brasileiros, numa votação que desde cedo começou a mostrar a tendência de ‘sim’ – ainda que a região do nordeste, onde Dilma colheria mais apoios – fosse das últimas a votar.

O processo de votação foi longo e, acima de tudo, muito tenso, com os deputados a usar os 30 segundos de que dispunham para uma declaração de voto para tecerem críticas ao poder.

Venceram os “golpistas” (a expressão não é nossa, como é óbvio) perdeu Dilma Rousseff e Lula da Silva. E a expressão aplica-se porque é deste modo que os defensores de Dilma Rousseff olham os deputados que votaram a favor da destituição.

O processo está longe do fim. Segue agora para o senado (para que fosse travado, o impeachment teria de registar pelo menos um terço de votos contra, o que não aconteceu) e mesmo que termine com a mais drástica das decisões não será o derradeiro capítulo deste processo.

O Brasil está mergulhado numa crise política, mas, acima de tudo, tem a população dividida. Não é apenas a destituição de Dilma que está em causa, mas todo o cenário que o rodeia.

Celebrou-se a votação, mas o país tem poucos motivos para fazer festa.

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